(Artigo publicado no Correio do Povo de domingo, 26/04)
Os presidentes Lula e Cristina Kirchner deram sequência a mais uma rodada de desacertos do Mercosul. Embora o encontro desta quinta-feira tenha terminado com o anúncio de consenso, tornam-se claras as diferenças de posicionamento entre Brasil e Argentina. Para se protegerem dos transtornos da crise mundial os argentinos apelam para o protecionismo. O que, diga-se de passagem, estão também fazendo muitos países da primeira linha mundial. Lula faz jogo duplo. Diz que “quanto mais pretecionismo, menores possibilidades de resolver a crise”. Porém, ao mesmo tempo, diz entender o posicionamento argentino. Que é preciso ter paciência com o vizinho, que vive um momento muito difícil de sua economia. Na realidade, o Brasil tem tido muita paciência com a Argentina, que seguido tem estabelecido limites à entrada de produtos brasileiros. A paciência é justificada porque se trata de um importante parceiro comercial. Apesar das dificuldades do Mercosul, o comércio entre os dois país vem crescendo de forma acelerada. Por isto é preciso entender o parceiro.
Entendimento, no entanto, tem sido algo pouco usual no âmbito do Mercosul. Argentina e Uruguai há cerca de dois anos travam uma disputa em função das papeleiras que os uruguaios resolveram instalar em seu país. Os argentinos bloquearam pontes, fecharam fronteiras, mas os uruguaios foram em frente com o empreendimento. Afinal, se tratava de um investimento de 1,5 bilhão de dólares em um país que estava parando no tempo. Pois o finca pé dos uruguaios deu certo. O fato indústria de papel da Botnia, instalada em Fray Bentos ligar suas máquinas fez a atividade industrial do país disparar. E ninguém no Mercosul cresceu tanto no ano passado quanto o Uruguai. O PIB uruguaio fechou o ano com um crescimento de 8,9%, puchado, evidentemente, pela papeleira finlandesa. E há o efeito inercial. Só no mês de março foram anunciados 400 milhões de dólares em novos projetos nos setores agroindustrial, madereiro e construção civil.
Bem, mais aí vem aqueles que dizem: cresceu, mas às custas da poluição! Não é verdade. Hoje há um controle absoluto sobre o processo produtivo do papel e da celulose, assim como também há com os projetos florestais. A propósito, esta semana tivemos aqui em Gramado a “Feira da Floresta”, evento que mostrou didaticamente como plantar, colher e produzir de forma correta. Foi mostrado como se pode ter um desenvolvimento sustentável, capaz de gerar crescimento econômico com justiça social e conservação ambiental. Conforme me disse o professor Vitor Hoefflich, da Universidade Federal do Paraná, responsável pela organização da mostra sobre benefícios da floresta, o setor tem o compromisso de, para cada 1,8 hectare de floresta plantada, conservar um hectare de floresta nativa. Quem percorreu os corredores da mostra pode sentir os benefícios que o setor florestal pode produzir, tendo enorme importância econômica, social e ambiental. Deu para sentir que os benefícios das florestas e dos produtos fabricados a partir da matéria-prima florestal, desmistificam equívocos sobre os impactos gerados pelos plantios. Informar-se sobre o tema – o que pode ser feito através do site www.ageflor.com.br – é uma boa maneira de entender o que pode ser feito aqui no Rio Grande do Sul, para que não percamos o bonde da História, como o Uruguai teria perdido se desse ouvidos aos radicais que protestam sem embasamento científico.