O anúncio do Irã de que já enriquece urânio em larga escala está mobilizando a comunidade internacional. Especialmente, porque a ONU já determinou sanções ao país por causa do seu programa nuclear e este insiste em seguir adiante.
Alguns fatores precisam ser analisados no presente caso. O primeiro deles, de ordem eminentemente técnica, é saber se o país não está blefando. Saber se tem mesmo o volume de Urânio enriquecido que está anunciando. Para alguns especialistas, é muito difícil que realmente possua as 3 mil centrífugas em funcionamento, conforme anunciou.
Mas, partindo do princípio de que efetivamente tenha. Cabe analisar o direito de ter. E este não pode ser negado. O Irã é signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Então, assim como o Brasil, a Argentina ou qualquer um outro signatário do documento, tem o direito de levar adiante um programa nuclear para a geração de energia. Ou seja, para fins pacíficos. Desde que o mesmo seja acompanhado por inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica. E o programa iraniano o era. Esses técnicos estiveram lá e agora estão sendo chamados para, dentro de 20 dias, fazerem uma visita a Natanz, 300 quilômetros ao sul de Teerã, onde se situa o centro de enriquecimento de urânio.
Então, porque toda a contestação do Ocidente? Porque, caso tenha mesmo as 3 mil centrífugas, teoricamente, o país poderia em um ano produzir uma bomba atômica. E essa nas mãos de uma figura como Ahmadinejad seria incontrolável. Já chega as potências e alguns periféricos, como Índia e Paquistão, que possuem bomba. Daí a pressão sobre o regime dos aiatolás.