Ao executar Yahya Sinwar, autor intelectual dos atentados terroristas de 7 de outubro de 2023, Israel completou a eliminação das principais lideranças do Hamas e do Hezbollah, ou seja, das duas organizações com quem está em guerra. A primeira reação do presidente dos Estados Unidos Joe Biden foi pedir que se aproveite o momento e se estabeleça um cessar fogo. O Hamas não se pronunciou, mas, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, logo afirmou que os combates continuarão, mesma manifestação vinda da liderança do Hezbollah, no Líbano.
Ou seja, vamos continuar com as mortes e sem a possibilidade, pelo menos de momento, de ter de volta os reféns. O que significa também que mais mortes continuarão ocorrendo, o que envolve desde civis em Gaza, no Líbano e em Israel, além de soldados combatentes. E a angustia dos familiares dos sequestrados tendo continuidade.
CENÁRIO
As imagens vindas de Israel nesta quinta-feira, mostravam a população na rua – homens, mulheres e crianças – cantando e celebrando a morte de Sinwar. Afinal, ele iria juntar-se ao então cabeça do Hamas, Ismail Hannieh e ao líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, além de seu sucessor e do sucessor do sucessor e mais de uma dezena de lideranças menos expressivas das duas organizações. A sensação era de uma grande vitória, o que não deixa de ser verdade.
Mas, este é um jogo que não terminou. A festa desta quinta-feira será sucedida, em algum momento, de um novo ato pavoroso tipo o 7 de outubro. Isto está muito claro, porque os fatos têm demonstrado que vai-se uma liderança, mas, logo vem outra. É claro que agora deve demandar mais tempo para surgir novas lideranças de peso, porque os golpes aplicados por Israel foram muito grandes.
REAÇÃO
E esta eliminação de lideranças somando-se ao elevado número de civis mortos, só faz aumentar o ódio e o radicalismo. De parte de Israel, esta situação lhe propicia ir avançando em áreas palestinas da Cisjordânia, onde se expandem colônias judaicas. Ou seja, um quadro perfeito para novas confrontações.
Um quadro que faz a região se distanciar cada vez mais da raiz do problema: o Estado da Palestina. E o pior, o principal agente que poderia colaborar para um diálogo está abandonado. O Fatah, que lidera a Autoridade Palestina e que governa a Cisjordânia, foi corrido de Gaza pelo Hamas por aceitar negociar com Israel em torno da idéia de dois estados. Tampouco o governo de Netanyahu fez questão de valorizar o diálogo com a Autoridade Palestina.
FUTURO
Ressalte-se ainda a possibilidade que se abriu de cooperação na região com os Acordos de Abrahão. Através deles Israel já assinou acordos de paz com Emirados Árabes Unidos, Barhein, Sudão e Marrocos. Arábia Saudita está na fila mas, condiciona sua participação à solução da questão palestina. Este grupo, além de ter a possibilidade de promover uma ampla e produtiva cooperação, juntando o conhecimento tecnológico de Israel com os investimentos árabes, reuniria uma parceria entre oponentes do Irã.
Assim é que, embora se vislumbre qual seria a solução para acabar com esta carnificina que domina o Oriente Médio, não se tem a mínima esperança de que isto venha a ser implementado. Hoje a região está dominada por um ódio cego, onde, a festa de uns hoje é o fermento para o ato terrorista de outros amanhã. O terror foi sufocado, mas, não foi eliminado. Este, diante do ódio imperante, ganhará força para se reestruturar. Uma força que falta cada vez mais para o processo de paz.