A presidente Dilma Rousseff não quis ser indelicada com Barack Obama. Esperou o presidente americano deixar o país para manifestar sua inconformidade com o que está acontecendo na Líbia. A posição do Brasil, que deverá ser emitida por nota oficial do Itamaraty, fecha com a que manifestou a Liga Árabe. Ou seja, de que a ação que está sendo desenvolvida na Líbia ultrapassa os limites da Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, aprovada na quinta-feira última. A acusação, tanto do governo brasileiro como da Liga Árabe, é de que a ação foi autorizada para dar proteção aos civis líbios, no entanto, está é matando os civis. E é isto o que se está percebendo. Em nome de uma mobilização para bloquear o espaço aéreo líbio, as forças da coalizão estão bombardeando múltiplos alvos dentro da Líbia, vitimando muitos civis.
O general Klausewitz diz que “numa guerra, a primeira vítima é a verdade”. Pois, Kadafi diz que determinou um cessar-fogo. A Casa Branca diz que é uma farsa e por isto manteve os ataques. Os antecedentes de ambos não são confiáveis. Kadafi é um reconhecido terrorista internacional, que, entre outras coisas, mandou até abater um avião da extinta Pan Am que fazia a linha Londres-Nova York e que caiu sobre Lockerbie, matando seus 270 ocupantes. Os EUA atacaram o Iraque em nome de uma mentira, as tais armas de destruição em massa de Saddam Hussein, que nunca existiram. Mudou o ocupante da Casa Branca, mas as ações continuam. O que é surpreendente é o fato de que este ocupante agora é Barack Obama, que se elegeu pregando o fim das guerras no Iraque e no Afeganistão e o estabelecimento da paz pelo mundo. Tanto que foi o ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2009.
Pois este que é chamado de “o homem mais poderoso do mundo” não o é. Ele teve que se dobrar aos “senhores da guerra”. Os falcões de Washington. E isto já aconteceu quando ele compôs o seu ministério. Teve que herdar o secretário da Defesa do governo Bush, Robert Gates. Assim como teve que manter em postos estratégicos militares que estão no controle das guerras do Iraque e do Afeganistão. Assim é que, ao invés de deixar aquelas duas guerras, Obama se mete em mais uma, a da Líbia. Por força de quem manda.