De maneira muito sutil, o governo Obama está mudando o foco inicial do Plano Colômbia. Isto ficou claro na proposta orçamentária para 2010. O presidente pediu 31,5 milhões de dólares a menos para operações de controle de narcotráfico, queda de 13%. E, ao mesmo tempo, aumentou em 17 milhões de dólares a verba para operações militares não especificamente relacionadas com o narcotráfico. Essa mudança passa por um novo acordo que está sendo negociado com a Colômbia. Mas passa também pela desconfiança dos países vizinhos da Colômbia. Tanto que Brasil e Chile manifestaram preocupação com o novo acordo, especialmente, por não terem informações sobre o mesmo.
Pois o presidente Álvaro Uribe veio nesta quinta-feira ao Brasil, para dar conhecimento ao presidente Lula sobre os detalhes do novo acordo com Washington. Lula sugerira que o novo acordo fosse discutido no âmbito da Unasul, que tem reunião marcada para a próxima segunda-feira, em Quito. Mas Uribe, que está de relações rompidas com Rafael Correa do Equador, já anunciou que não vai participar e preferiu fazer uma peregrinação pelo que chama de países amigos, para explicar o novo acordo. Isto significa que ele passará por todos os países da América do Sul, com exceção da Venezuela e do Equador.
Quanto ao novo acordo, ele dará maior amplitude de atuação para as forças americanas, servindo inclusive de base de apoio para deslocamentos mais longos de tropas e equipamentos. A propósito, os EUA cogitaram de ter uma base de apoio em Recife. Mas depois perceberam que a distância era muito grande e também que não havia um clima de aproximação com o governo brasileiro suficiente para tal acordo.
Voltando à Colômbia, o país conseguiu com o apoio dos EUA enfraquecer substancialmente a guerrilha das Farc. E espera com mais este reforço alcançar a derrota total do movimento guerrilheiro.
PÉRIPLO DE URIBE
O presidente da Colômbia Alvaro Uribe desenvolve ao longo destes últimos dias um périplo pela América do Sul. Já passou pelo Chile, Bolívia, Argentina, Peru e Paraguai. Está hoje no Brasil. Sua missão: reunir-se com os seus colegas presidentes para explicar o novo tratado militar que está firmando com os EUA e que se tornara fator de preocupações regionais. Na véspera da chegada de Uribe, o assessor de Segurança da Casa Branca, Jim Jones, buscou esvaziar a polêmica em torno da ampliação do acordo militar entre Colômbia e EUA. Disse que não há mágicas e não há segredos sobre a mesa. Disse que o objetivo básico continua sendo o combate ao narcotráfico. E que as bases são necessárias, porque nesse combate se utiliza aviões de longo alcance e que esses aviões precisam de bases de apoio.
Acontece que, segundo um documento apresentado pela Força Aérea dos EUA em um seminário militar em abril, os aviões americanos previstos para a base aérea colombiana de Palanquero, no centro do país, tem um raio muito superior ao necessário para o combate ao narcotráfico. Além disto, no orçamento militar para este ano, já ficou definido que haverá uma diminuição na verba para o combate ao tráfico e um aumento para as destinadas a operações que não envolvam necessariamente o narcotráfico.
Em suma, há uma ampliação da ação militar americana na Colômbia