O presidente Barack Obama finalmente pode assinar o plano de recuperação econômica dos EUA, cujo montante fechou em 787 bilhões de dólares. Foi a primeira grande conquista do presidente, que condicionou a recuperação do país à aprovação desse pacote.
A Câmara dos Representantes e o Senado aprovaram a versão final do plano para recuperar a economia americana na sexta-feira, após longas negociações e mesmo com a resistência de parte considerável dos congressistas republicanos. No Senado, a medida foi aprovada com 60 votos, a quantidade exata para ser aprovado. Na Câmara, a aprovação ocorreu com 246 votos. Uma margem adequada, mas ainda assim 183 deputados se opuseram.
A projeção do governo é criar ou preservar 3,5 milhões de empregos nos próximos dois anos, 90% dos quais no setor privado. Além disso, 40% do pacote –cerca de US$ 312 bilhões– irão auxiliar diretamente famílias americanas de classe média. O pacote prevê, entre outras medidas, US$ 116 bilhões em benefícios fiscais para 95% dos americanos, que devem chegar ao bolso do contribuinte na forma de descontos menores nos salários, em dois anos. O leão americano vai facilitar a vida do cidadão. Obama quer colocar, pelo menos, mais 500 dólares na mão do cidadão e um mínimo de 1.000 dólares por família. Outro fator que Obama quer atacar é a inadimplência dos imóveis. O volume de execuções hipotecárias, por conta da inadimplência, cresceu 81% em 2008 na comparação com o ano anterior. O número de proprietários que recebeu algum tipo de alerta pelo atraso do pagamento do imóvel chega a 2 milhões 330 mil.
Enfim, a bola a agora está com o presidente. Um detalhe: os cidadãos americanos poderão conferir a aplicação do dinheiro através do site: recovery.gov.
AFEGANISTÃO
Depois de assinar o pacote de 787 bilhões de dólares para a recuperação econômica dos EUA, o presidente Barack Obama coloca em prática outra de suas promessas de campanha: o envio de mais soldados para o Afeganistão. Está mandando um contingente de mais 17 mil que irão se somar aos 55 mil que lá estão, sendo 38 mil americanos e o restante de outros países que integram a Otan.
A recomposição de forças no Afeganistão é urgente. Dados da Unama, a missão da ONU para o Afeganistão, apontam um aumento de 40% nas mortes de civis no país no ano passado, em comparação com 2007. Foram 2.118 mortos, o saldo mais elevado desde a invasão do país em 2001. Além disto, o Talibã, que fora deposto do governo pela ação militar americana, já está atacando até em Cabul, a capital do país que até há pouco era uma ilha de tranquilidade.
O comando militar americano se deu conta, no entanto, de que precisa reformular sua estratégia para o Afeganistão, tendo em vista que 39% das mortes de civis foram em consequência de ataques aéreos. Na medida em que matam civis, os americanos geram a revolta contra si. O que se choca com a intenção de cooptar a simpatia da população afegã. E, como se sabe, ninguém conquista um território se não conquistar junto os corações e mentes do seu povo.