O presidente Barack Obama possivelmente já tem um candidato para as eleições presidenciais do Irã, que serão realizadas em junho. E este candidato é o ex-presidente Mohammad Khatami, que governou de 1997 a 2005. O político, que está com 65 anos, é considerado um moderado e reformador, capaz de restabelecer o diálogo com os EUA.
Mas aí é de se perguntar: se Khatami é moderado e reformador e governou o Irã durante oito ano, porque não houve uma aproximação com aquele país? Simplesmente, porque do outro lado, ou seja, do lado americano, estava, na maior parte deste tempo, o radical George Bush. E depois que saiu Khatami no Irã a situação ficou pior ainda, porque lá assumiu outro radical: Mahmoud Ahmadinejad. Assim, as relações entre os dois países, que já eram tensas desde a Revolução Islâmica de 1979, se agravaram quando Bush incluiu o Irã no que chamou de “o eixo do mal”.
Obama tem demonstrado grande interesse em reatar as relações com o Irã, o que poderia ser facilitado com a volta à presidência de Khatami. No entanto, antes ele precisa vencer o próprio Ahmadinejad. Com o que, as eleições iranianas serão acompanhadas com vivo interesse pelos EUA.
MANIFESTAÇÕES
A revista “Foreign Policy”, que divulgou na semana passada que a equipe de Barack Obama vem mantendo contatos com representantes do Irã desde setembro do ano passado, disse também que um novo encontro ocorreria neste fim de semana em Munique. Pois, naquela cidade da Baviera, desenvolveu-se uma conferência internacional de segurança. E se houve um encontro secreto entre representantes dos EUA e do Irã não se sabe. Agora, o que se pôde observar foi o representante do Irã elogiar o governo Obama por ter mandado um enviado especial para o conflito entre israelenses e palestinos, o ex-senador George Mitchell. A manifestação foi sentida como um recado de Teerã, buscando reaproximação. Segundo os informes, no dia seguinte, o vice-presidente americano Joe Biden devolveu a gentileza.
O governo Obama persegue uma reaproximação com o Irã porque sabe que esse país por ser decisivo para ajudar a resolver os problemas do Iraque e do Afeganistão. A propósito, Richard Holbrooke, que é o enviado especial para o Afeganistão, prognosticou que a guerra afegã será longa e mais difícil que a do Iraque. Ou seja, ofereceu um subsídio a mais para a importância de buscar a parceria com o Irã, país de maioria xiita e que tem grande influência sobre as comunidades xiitas iraquianas e afegãs.
O fato novo que surge neste momento é a eleição presidencial iraniana, marcada para junho. O atual presidente, o radical Mahmoud Ahmadinej, vai ter a concorrência do moderado ex-presidente Mohammad Khatami. O que é mais uma luz a iluminar o caminho. Se até a eleição o processo de reatamento não avançar, surge a possibilidade mais ampla no caso de Khatami ser o vencedor do pleito.