(Artigo publicado no Correio do Povo, de domingo, 03/08/2008)
Os grupos palestinos como Hamas e Jihad Islâmico estão saudando a decisão do primeiro-ministro israelense Ehud Olmert de deixar o cargo como uma vitória sua. Entendem que as ações que vem desenvolvendo, como o lançamento de foguetes contra cidades israelenses, tenham abalado o governo de Olmert. É claro que a questão palestina tem influência direta no dia-a-dia dos israelenses, mas não é este o fator principal da decisão de Olmert de deixar o governo em setembro e permitir que seu partido Kadima escolha um novo líder. O que está pesando sobre o dirigente é sua conduta passada. O que vem desde os tempos em que era prefeito de Jerusalém. A acusação é de que, quando viajava, Olmert retirava a quantia necessária para as despesas de várias secretarias ao mesmo tempo. Ou seja, multiplicava por cinco ou seis vezes o que tinha direito. Além disto, a situação de Olmert se complicou em fins de maio, quando o milionário americano Morris Talansky disse, em depoimento em Jerusalém, que ao longo de 15 anos ele entregou 150 mil dólares a Olmert, como forma de empréstimos, que nunca foram pagos.
Então, são estes os fatos que pesam sobre Olmert e não a questão palestina, que é um problema crônico de Israel. Mas ele bem que tentou usar o tema palestino para abafar os seus problemas. Ele em parceria com George Bush. O presidente americano e o primeiro-ministro israelense estão vivamente interessados em conseguir um acordo entre Israel e os palestinos antes do fim do ano. A intenção de ambos, no entanto, é muito clara: querem com o acordo encobrir os problemas graves que enfrentam. Bush, com o atoleiro no Iraque, a crise imobiliária e o estado de pré-recessão nos EUA. Olmert, com os seus já relatados problemas particulares.
Um acordo entre Israel e os palestinos, ou com a Síria, conforme também está sendo acenado, com a evidente mediação dos EUA, cobriria os problemas dos dirigentes e os colocaria até na lista do Nobel da Paz. Todavia, por mais que os dois se esforcem, tal acordo é uma utopia. Não tem a mínima possibilidade de acontecer antes do fim do mandato de Bush, em janeiro de 2009. Já Olmert terá que colocar seu cargo em jogo em setembro, segundo está sendo anunciado. O partido o está forçando para tal. Todavia, na expectativa de que tudo ainda pode ser revertido, Olmert afirmou que continuará lutando para alcançar a paz com os palestinos e os sírios durante o tempo que permanecer no cargo.