Esta semana foi marcada aqui na América Latina pela presença de uma frota naval norte-americana junto à costa da Venezuela. Numa atitude, evidentemente, ameaçadora para a ditadura de Nicolás Maduro. O qual, aliás, tem uma recompensa de 50 milhões de dólares do governo americano por sua captura. O mote da mobilização bélica é o combate ao narcotráfico, que, segundo Washington, tem na Venezuela uma ligação umbilical com o governo e as Forças Armadas.
As condições climáticas fizeram parte da força tarefa americana retornar à base. O que não quer dizer que a pressão sobre Maduro irá aliviar. Pelo contrário, deverá aumentar gradativamente. Tanto por esta questão do narcotráfico, quanto pelo regime vigente no país, como também por sua intenção de tomar dois terços do território da Guiana, rico em petróleo.
UCRÃNIA
Enquanto isto, lá do outro lado do mundo, a Rússia intensificava seus ataques na Ucrânia, visando ampliar seu domínio sobre a parte leste do país, da qual pretende se adonar. Isto acontece depois de toda a encenação, desenvolvida no Alasca e na Casa Branca, em nome de um acordo para por fim àquela guerra. Falo em encenação porque não há o mínimo interesse por parte de Donald Trump de proteger a Ucrânia. Foi taxativo, na segunda-feira, 18, ao dizer que não mandaria tropas para proteger a Ucrânia e que não aceitaria a entrada do país na Otan.
A Europa, que não quer abandonar Kiev pelo temor dos avanços subsequentes de Vladimir Putin, se viu obrigada a comprar armas dos EUA através da Otan. Trump não mais fornece ajuda a Volodimir Zelensky. Ou seja, ele aproveita o episódio para fazer negócio. Assim, Putin vai se sentindo cada vez mais à vontade no seu intento que colocou em prática a 22 de fevereiro de 2022.
TAIWAN
Descendo um pouco no mapa mundi vamos encontrar um outro conflito latente, cujo desfecho pode acontecer a qualquer momento. É a pretensão da China de anexar Taiwan ao seu território. O governo chinês considera a ilha uma província rebelde, que precisa ser reintegrada a Pequim. Não é sem razão que os ilhéus têm feito seguidas manobras militares para o enfrentamento da invasão chinesa.
Os Estados Unidos têm um tratado de defesa de Taiwan, para o caso de a ilha ser invadida pela China continental. E aí é de se perguntar: os norte-americanos irão se mobilizar militarmente para ajudar Taiwan, enfrentando a China? A resposta é, não!
A propósito, a China divulgou, recentemente, um novo mapa em que está incorporando áreas reivindicadas por Malásia, Índia e Filipinas. Além disto, tem avançado no chamado Mar do Sul da China, tomando águas territoriais de vizinhos e construindo ilhas artificiais para servirem de bases militares.
DONOS
Diante desse quadro fica também a indagação sobre o que esses episódios têm em comum. Pois, o que eles têm, é o resultado da maneira de Trump ver o mundo e que está sendo posta em prática. Ele já deixou claro em ocasiões anteriores que no mundo manda quem pode e obedece quem tem juízo. Ou seja, que existem três potências no mundo, Estados Unidos, Rússia e China, e o restante é periferia. Não disse, mas, deixou implícito que a Europa está incluída nessa periferia.
E o que resulta daí: a divisão do mundo entre os três, com o acerto de que um não se mete na área do outro.
ÁREAS
Desta forma, a China pode ficar à vontade para tomar Taiwan e áreas de sua vizinhança, a Rússia para dominar a Ucrânia e outros países de sua redondeza, e os Estados Unidos para agir sobre a Venezuela e outros países da região que entender necessário. Assim, Trump, Putin e Xi Jinping são hoje os donos do mundo. Podem agir à vontade, desde que, cada um em sua área de atuação, respeitando os domínios dos outros dois parceiros.