A questão nuclear nos países em desenvolvimento tem sido uma preocupação constante dos países desenvolvidos. O caso mais típico, presentemente, é o que envolve o Irã e os EUA. O governo iraniano quer desenvolver o seu programa nuclear, como alega, para desenvolvimento de energia, mas o governo americano alega que o objetivo é a bomba atômica.
Pois, enquanto se tem essa discussão, a França vai para linha de frente e firma um acordo com a Líbia para o fornecimento de um reator nuclear. De acordo com o que foi divulgado, será para dessanilização da água do mar. A finalidade, evidentemente, é nobre. Sabe-se bem a dificuldade que os países da Arábia e da África têm para a aquisição de água potável. O problema é justamente é um país pouco confiável como a Líbia estar de posse de um artefato nuclear. É claro que caberá à França exercer o controle, com acompanhamento da ONU, para que as normas internacionais sejam cumpridas.
A Alemanha manifestou à França a sua preocupação com o fornecimento do reator nuclear à Líbia, dizendo que “o risco da proliferação cresce”. E cresce mesmo. Essa questão não fica restrita à Líbia. Egito, Argélia, Tunísia e Marrocos já anunciaram para a Agência Internacional de Energia Atômica sua intenção de instalar programas nucleares civis. Eles estão seguindo o que já haviam feito Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. Diante de tudo isto, fica difícil contestar o programa do Irã.