A primeira etapa da operação de resgate de seis reféns das Farc já foi executada com sucesso, envolvendo três policiais e um soldado. Na continuidade há um ex-governador e um ex-deputado nas duas etapas seguintes da libertação. Seis reféns sendo libertados em troca de nada. A guerrilha queria, como contra-partida a libertação de 500 guerrilheiros que estão presos. Proposta que foi totalmente descartada pelo presidente Álvaro Uribe, o qual segue com sua determinação de oferecer recompensa aos guerrilheiros que abandonarem as armas. Assim, temos mais uma libertação unilateral, o que demonstra que as Farc estão perdendo poder. E perdem também um substancial apoio que tinham: do venezuelano Hugo Chávez. No vai e volta do jogo político da região, Chávez resolveu fazer as pazes novamente com Uribe. O reatamento de Uribe com Chávez foi um lance político importante do presidente colombiano, pois inviabilizou o apoio mais significativo que as Farc tinham na região.
Outro aspecto importante nessa operação de resgate é o discreto apoio logístico que o Brasil está prestando. O que se deu a partir do consenso entre as partes envolvidas. Ou seja, o Brasil colabora de maneira efetiva numa que tem o seu cunho humanitário e o diferencial de estar colaborando para a paz interna na Colômbia.
SEGUE HOJE
O processo de libertação de reféns pelas Farc na Colômbia deve ter sequência hoje, com o cumprimento da segunda das três etapas programadas. Segundo a senadora colombiana Piedad Córdoba, que intermedia as negociações. Hoje deve ser libertado o ex-governador do departamento de Meta, Alan Jara.
Observem os detalhes para ver o quanto é cruel o sistema de sequestro imposto pelas Farc a autoridades e cidadãos colombianos. Jara fora sequestrado em 2001, quando integrava um comboio da ONU. O filho dele, Alan Felipe Jara, tinha então 7 anos de idade. Como o ex-governador passou oito anos detido pela guerrilha, significa que Felipe, hoje com 15 anos, cruzou parte de sua infância e de sua adolescência sem a companhia do paí. Pode-se imaginar oque significa para um filho passar todo esse período longe do pai. Da mesma forma, cabe a indagação sobre o que significa para um homem, que era o governador de um departamento, ficar oito anos isolado na selva, sem contato com o mundo civilizado. Só em termos tecnológicos, quanto o mundo avançou nesse período.
Assim é que, caso de confirme hoje a libertação de Jara, o ex-governador terá que fazer uma reciclagem, tanto para retomar sua vida política como a atividade paterna. E fica por último a mensagem de esperança do filho Felipe: de que, quando for adulto, não haja mais conflito armado na Colômbia.
DISPUTAS
Em meio à disputas políticas, espera-se para hoje o desenvolvimento da segunda etapa do processo de libertação de seis reféns pelas Farc. Depois dos três policiais e um militar, libertados no domingo, é esperada para hoje a libertação do ex-governador do departamento de Meta, Alan Jara. O mais importante dos seis reféns e que está detido há oito anos.
As disputas políticas tem se dado entre o presidente Álvaro Uribe e a senadora Piedad Córdoba, que é a intermediária nas negociações. Uribe exigiu a retirada do grupo do jornalista Jorge Henrique Botero, o qual denunciou que a operação de resgate esteve na iminência de fracassar, pela ação das Forças Armadas da Colômbia, que não teriam cessado seu combate à guerrilha.
Resolvido o impasse, espera-se que a operação tenha sucesso e que permita a sua complementação com a libertação do sexto refém, o ex-deputado de Valle, Sigfredo López, refém desde 2002. Operação que tem a silenciosa participação do Brasil, que cedeu os helicópteros e apoio logístico. Aliás, uma ação que já mereceu elogios por parte do governo dos EUA. O porta-voz adjunto do Departamento de Estado americano, Robert Wood, elogiou o trabalho de “todos que ajudaram a recuperar a liberdade para estes quatro reféns”, em particular o papel do Brasil na missão de resgate.
Ou seja, o Brasil está demonstrando uma eficiente forma de colaborar para a paz na região.