Os combates entre o Hamas e Fatah na Faixa de Gaza se intensificaram esta semana, deixando mais de 100 mortos e centenas de feridos. Os milicianos do Hamas usaram foguetes anti-tanques e morteiros em seus ataques contra o grupo que compõe a Autoridade Nacional Palestina. O grupo já domina a parte norte do território e conseguiu impor sérias perdas no quartel general do Fatah. Até funcionários da ONU, que estão lá para prestar assistência a todos, indiscriminadamente, morreram no conflito.
Uma das frases que mais se tem ouvido ultimamente, vinda da região, é de que foi acertado um novo cessar-fogo entre as facções palestinas. Na esteira dessa repetição estão implícitas as múltiplas violações a esses acordos, que implicaram em mais mortes entre os palestinos.
Mas, afinal, qual é a origem desta luta entre os palestinos? Pois tudo começou em janeiro do ano passado, quando o grupo Hamas, que é considerado terrorista por Israel, EUA e União Européia, venceu as eleições legislativas palestinas e habilitou-se a indicar o primeiro-ministro. Com isto, colocava fim a quatro décadas de predominância do grupo Fatah que, diferentemente do Hamas, não tem vínculo com o islamismo, é secular.
A vitória do Hamas implicou numa imediata suspensão da ajuda financeira que a União Européia fornece aos palestinos para a sustentação de sua máquina administrativa. Cerca de 150 mil funcionários públicos dependem dessa verba para receber seus salários. Para tentar amenizar os problemas e voltar a receber ajuda, os dois grupos resolveram formar um governo de coalizão. O Hamas ficou com o primeiro-ministro, Ismail Haniyeh, e o Fatah com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.
Foi um acerto apenas pró-forma. Na prática não funcionou. O fato de o Hamas não reconhecer a existência do Estado de Israel fez com que a maior parte da ajuda externa não fosse restabelecida. O governo, dividido, não conseguiu funcionar. A falta de dinheiro ajudou a acirrar as animosidades e o que se tem visto é essa sucessão de confrontos.
Porém, como se não bastasse o conflito intra-palestino, o Hamas, irresponsavelmente, decidiu atacar Israel, expondo a comunidade palestina à reação israelense. Toda essa situação vem apenas comprovar que o governo de união, formado há dois meses entre o Fatah e o Hamas, sob os auspícios da Arábia Saudita, não passou de ficção política. Assim como ficção segue sendo o tão almejado Estado palestino.