Em entrevista concedida nesta terça-feira à rede de televisão ABC, o secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates, aceitou permanecer por mais um ano no cargo, sob o mandato de Barack Obama. O curioso é que Obama não perguntou para ele se queria continuar no cargo. O que houve foi simplesmente o oferecimento de Gates. Mas este oferecimento faz parte de uma estratégia que vem sendo desenvolvida pelo Pentágono já há algum tempo. Estratégia que consiste em manter Gates no cargo e conseguir aumentar as verba para a defesa.
Com um orçamento de 855 bilhões de dólares para 2009, 2 milhões de empregados e duas guerras em andamento, o Pentágono se constitui no órgão que mais pressão vem fazendo sobre o presidente eleito. Um relatório recente, feito pelo grupo Defense Business Board, afirma que a situação atual é insustentável e se não forem feitos cortes substanciais ou mudadas as prioridades, o Pentágono vai falir. Isto que o orçamento suga 6,2% do PIB americano.
Lógico que um dos setores que mais faz lobby pela permanência de Gates e pelo aumento da verba, é o armamentista, que tem no Pentágono o seu maior comprador. Porém, independentemente desses aspectos, Gates tem a seu favor a mudança que provocou no quadro do Iraque. Ele substituiu Donald Rumsfeld, em 2006, e desde então conseguiu uma maior estabilização naquele país. E estabilização no Iraque é tudo o que Obama precisa para ir retirando as tropas daquele país. Assim é que, de repente, o atual secretário da Defesa pode ser um dos nomes republicanos a integrar o governo democrata de Obama.