Informações do jornalista Nelson Bocaranda, considerado um profundo conhecedor dos bastidores da política da Venezuela, dão conta de que o presidente venezuelano Hugo Chávez está cada vez com maior dificuldade de mobilização. A radioterapia à qual o presidente tem se submetido teria provocado uma fratura no fêmur e o deixado com mobilidade reduzida. Tanto que, ao se deslocar pelo aeroporto de Caracas para tomar o voo para Havana o teria feito em cadeira de rodas. Chávez combate o câncer desde junho de 2011 e assegura não ter metástase e que mantém a sua candidatura para as eleições presidenciais de setembro, quando enfrentará Henrique Capriles, o candidato único da oposição. No entanto, em meio às especulações sobre o agravamento da saúde de Chávez, surgem também especulações sobre um golpe de Estado. Isto porque, tirando o próprio Chávez, a situação não tem ninguém com capacidade política para vencer o pleito.
Um primeiro sinal já foi dado nesta sexta-feira ao ser anunciada a criação do Conselho de Estado, um novo órgão do governo e que será dirigido pelo vice-presidente Elías Jaua. Os indicativos são de um colegiado ao qual estarão submissos até os governadores de estados. A formação deste órgão é contestada pelo jornal El Universal. Diz o periódico que: “A lei reguladora do funcionamento do Conselho de Estado não poderia ser elaborada e promulgada pelo governo nacional através de Lei Habilitante, mas pela Assembleia Nacional, através de votação no Parlamento, com a mais ampla participação dos poderes públicos envolvidos, assim como dos cidadãos, sem discriminação”. Acrescenta ainda o jornal que “ao ditar de forma unilateral o decreto, o governo incorreu em violações à Constituição de 1999”. Bem, aqui vem mais uma questão muito peculiar da Venezuela. O candidato oposicionista Henrique Capriles, em um de seus pronunciamentos, disse que se for eleito irá cumprir a Constituição de 1999. Isto se dá porque os oposicionistas não reconhecem a Constituição ditada por Chávez e que está em vigor e que dá poderes plenos ao presidente.
Sérgio Fausto, diretor-executivo do Instituto Fernando Henrique Cardoso, escreveu um artigo chamando a atenção para a crescente possibilidade de golpe de Estado na Venezuela, tendo em vista que Chávez, por seu estado de saúde, estaria impedido de concorrer à reeleição. E ele cita o atual ministro da Defesa, general Henry Rangel, que já havia declarado, antes de assumir o posto, que, no caso de uma vitória da oposição nas eleições de setembro, as Forças Armadas se rebelariam. Já o jornalista Nelson Bocaranda, em artigo publicado no seu blog, diz que, a partir de Havana, estaria sendo articulada uma ação provocadora, com distúrbios populares, os quais seriam atribuídos aos opositores e dariam motivo para os militares “restabelecerem a ordem”.
Considerando que hoje os militares estão ao lado de Chávez e que este armou as chamadas “milícias populares”, percebe-se que estão estabelecidas as condições para a Venezuela deixar de vez a democracia. Cabe, pois, a países como o Brasil, usar de sua influência para impedir que essa situação catastrófica se estabeleça no país vizinho. Influência que só poderia partir da presidente Dilma, não do seu assessor para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, porque este aplaude tudo que é feito por Chávez.