A guerra tem algumas incoerências. Como esta, por exemplo, de Israel suspender o bombardeio por três horas para a chegada de ajuda humanitária aos palestinos do Hamas, que estão encurralados na Faixa de Gaza. Isto é algo mais ou menos assim: “eu para um pouco, você recebe alimentos e medicamentos, e daqui a três horas eu volto a largar bombas sobre a tua cabeça”. É algo, no mínimo, esdrúxulo. Mas é a guerra, que já é algo esdrúxulo.
O general Klausewitz disse que “a guerra é a continuidade da política”. Em cima dessa declaração pode-se dizer que a guerra é consequência do fracasso da política. Exemplo típico é esta que está acontecendo em Gaza. E como já estamos no 14º dia e sem solução, o fracasso político faz a guerra se alastrar. É o que estamos acompanhando, com o lançamento de foguetes contra Israel partidos do Sul do Líbano.
Militarmente também a guerra tem sido um fracasso, porque o objetivo principal, que era acabar com o lançamento de foguetes lançados pelos palestinos, ainda não foi alcançado. Quem sabe na reunião programa para o Egito, entre as partes envolvidas e sob a mediação de Egito e França, se consiga reverter a derrota política.
TEMPO DEMAIS
A guerra na Faixa de Gaza está completando duas semanas. Tempo demais para um conflito cujo principal objetivo era acabar com o lançamento de foguetes contra Israel. Passaram-se 14 dias, já morreram mais de 700 pessoas, e os foguetes seguem caindo em Israel. Organismos como Cruz Vermelha, Anistia Internacional e Comitê de Direitos Humanos da ONU protestam contra Israel. Aliás, a imagem que o país está passando para o mundo é, no mínimo, a do uso excessivo de força. Senão, a de massacre.
Assim, quanto mais se estende o conflito, pior para Israel. O Hamas estava isolado em Gaza. Ninguém se preocupava com ele. Agora, todo o mundo se indigna com o sofrimento que Israel lhe impõe. Dirigentes de expressão do mundo todo se mobilizam, procurando achar uma forma de obter a trégua, para que não morra mais gente. Especialmente, crianças, vítimas maiores dessa guerra insana.
A guerra é a extensão da política, dizia o general Klausewitz. E, na sequência, a guerra tem o seu resultado político. E este para Israel está sendo péssimo.