A crise econômica tem afastado a guerra no Iraque do foco dos debates nos EUA. Mas, o elevado número de mortos no Iraque neste fim de semana e mais o depoimento que irá prestar ao Congresso esta semana o general David Patraeus, comandante das tropas americanas naquele país, trazem o assunto à tona. A tudo isto se somam novas revelações sobre as trapaças e negócios escusos que envolve a guerra no Iraque. Agora, por exemplo, fica-se sabendo que congressistas norte-americanos possuam 196 milhões de dólares investidos em empresas bélicas que fazem negócios com o Departamento de Estado. A revelação é do Center for Responsive Politics, um centro de pesquisas, não partidário, sediado em Washington, que investigou as declarações financeiras de 2006 dos parlamentares. Vejam que são os congressistas que decidem o volume de recursos para a guerra no Iraque.
Diversos congressistas que lucraram com esses contratos presidiram comissões ou exerceram cargos de liderança. E o curioso é que não são somente os republicanos, aliados de George Bush, que estão envolvidos, embora esses sejam maioria. Mas há até o candidato democrata à presidência dos EUA na última eleição, John Kerry. O estudo diz que mais republicanos tinham ações de empresas do setor de defesa, mas que os democratas tinham muito mais dinheiro investido. E os números comprovam. Em 2006, os democratas tinham pelo menos 3,7 milhões de dólares em investimentos, enquanto que os republicanos somavam 577 mil dólares. No total, desde que começou a guerra, 151 congressistas possuem investimentos que somam 196 milhões de dólares em empresas que receberam, por meio de contrato de defesa, pelo menos 5 milhões de dólares em 2006.
Como se observa, a questão ética está passando longe desses parlamentares, que estão obtendo dividendos por suas aplicações em empresas, as quais eles próprios precisam aprovar no Congresso os negócios com o governo.