O novo ministro da Economia da Argentina, Carlos Fernandez, assume com duas preocupações imediatas: chegar a um acordo com os produtores rurais, que evite a nova paralização marcada para 2 de maio, e encontrar um forma de conter a inflação, que insiste em se manter alta na Argentina. Os dois temas, no entanto, são muito ligados um ao outro. Os produtores reclamam das altas taxas que foram impostas às exportações de seus produtos. Pois o governo implantou a taxação aos produtos da agricultura e da pecuária com dois objetivos: um deles, evitar a venda para o exterior, fazendo com que o produto fique no país e, assim, se tenha maior oferta, baixando o preço e fazendo a inflação baixar. O outro objetivo, é uma espécie de unir o útil com o agradável: é promover uma maior arrecadação por parte do governo. O problema é que o governo foi com muita sede ao pote. Basta ver o seguinte: a soja é taxada em 44%, porém, se o preço da tonelada passar de 600 dólares, o governo fica com 95 centavos de cada dólar vendido.
Uma troca de ministro é sempre uma oportunidade de mudanças. E a cartada já foi dada ontem, com os líderes das principais entidades rurais sendo convidados para a posse e sendo postados na primeira fila. Já se criou um clima de distensão, tanto que os produtores cogitam estender o prazo para negociação, que vence na sexta-feira vindoura. E o acordo é relativamente fácil. É só o governo ser menos guloso. Já quanto à inflação, aí sim, o desafio será muito maior para o novo ministro.