Uma medida tomada por uma juíza da intendência de Maldonado, Adriana Graziuso, à qual está afeto o balneário de Punta del Este, está dando o que falar aqui no Uruguai. Ocorre que a juíza determinou o recolhimento e expulsão do balneário de todo aquele que tiver antecedentes criminais e não estiver trabalhando. Ou seja, aquele que estiver vagando pela cidade. A matéria foi capa da edição desta terça-feira do jornal El País, que ouviu lideranças empresariais e advogados, com visões distintas sobre o tema. Dois advogados citados pelo jornal, o constitucionalista Martim Risso e o penal Diego Camaño, coincidiram em criticar a lei de procedimento policial, por entenderem que a mesma fere o direito de livre circulação. Risso disse que a lei tem uma “filosofia incostitucional”, podendo levar até à criação de guetos no estilo nazista.
No entanto, segundo o jornal, a juíza conta com o apoio dos operadores turísticos de Punta del Este. Como o presidente da Liga Comercial, Hector Araújo, que disse: “Aqui se cumpre a lei. Não vai ser por causa de umas 200 pessoas que vamos deixar ir à ruína os negócios dos 140 mil habitantes de Punta del Este que vivem do turismo”. No mesmo sentido se manifestou o presidente da Câmara Uruguaia de Turismo, Luis Borsari. Disse ele que o setor privado sempre reclamou dessa situação, mas que agora, finalmente, há alguém com coragem para tomar a decisão. Como o Uruguai está apostando fortemente no turismo, a dedução é de a lei será mantida.