O conflito de Gaza, travado entre o exército israelense e os palestinos do Hamas e que deixou cerca de 1.100 palestinos mortos, está sendo objeto de um grande debate em Israel. Ocorre que uma ONG, chamada “Quebrando o Silêncio” e formada por oficiais da reserva das forças armadas do país, emitiu um relatório dizendo que Israel teria usado força de “forma irresponsável” durante o conflito. A organização colheu depoimentos de 26 militares que participaram das ofensivas e, entre as denúncias estão a demolição de centenas de casas assim como mesquitas sem que as ações tivessem objetivos militares. E o pior: há a constatação de que uma unidade usou palestinos como escudos humanos, forçando-os a entrar em casas onde haveria extremistas. O exército reagiu, acusando o grupo de calúnia e difamação contra as forças armadas e seus comandantes.
A reação do exército é natural, mas é difícil acreditar que oficiais da reserva estivessem interessados em denegrir a imagem da instituição à qual serviram e da qual ainda recebem seus proventos. O fato é que saltou aos olhos de todo o mundo, e até mesmo dos leigos em assuntos do Oriente Médio, o uso desproporcional da força que Israel na sua investida contra os palestinos em Gaza. É inegável que o país vinha sendo fustigado pelos foguetes palestinos contra suas cidades. Também é inegável que o país tem o direito de defender-se de um grupo que, inclusive, é acusado de usar crianças em ações militares. Porém, as imagens da guerra – e hoje as guerras são vistas por todo o mundo – mostraram ações do exército israelense que vitimaram velhos, mulheres e crianças. Em ações que não condizem com os preceitos democráticos e de respeito aos direitos humanos que vigoram em Israel.
Daí o fato de ganhar respaldo o relatório dos militares da reserva que estão “Quebrando o Silêncio”.