Em meio à crise no Oriente Médio, que envolve Irã e Grã-Bretanha, despontou um até aqui obscuro personagem da região: o rei Abdullah, da Arábia Saudita. Durante cúpula da Liga Árabe, que se realiza em Riad, ele fez um forte pronunciamento, classificando a ocupação estrangeira do Iraque de “ilegítima”. A primeira vista, um forte golpe nos EUA, tendo em vista que a Arábia Saudita é o principal aliado americano no mundo árabe. Mas, a declaração do rei tinha duplo sentido. O termo ocupação estrangeira serve para os EUA e serve também para o Irã.
O governo saudita deu integral apoio aos EUA para atacar o Iraque por ocasião da Guerra do Golfo, em 1991. Naquela ocasião, o objetivo era retirar as tropas iraquianas do Kuwait, país que haviam invadido. Na guerra iniciada em 2003, o governo saudita não só não deu apoio, como se manifestou contra a ação do presidente Bush. Agora aproveita para falar da ilegitimidade da ocupação. Quanto ao Irã, que é um país persa, existem históricas divergências. E a preocupação maior atualmente é com o fato de os aiatolás iranianos estarem insuflando as massas religiosas sauditas contra a monarquia. Tentando estender para lá a revolução islâmica.
Assim, para reforçar sua posição interna, o governo saudita parte para uma ação forte externa. E essa ação envolve até a questão entre Israel e os palestinos. Na mesma cúpula árabe, o rei Abdullah resgatou o seu plano de paz para o Oriente Médio. Como se vê, a estratégia do monarca saudita é ampla. Coloca-se como um mediador de ponta na questão israelo-palestina; alia-se aos que pretendem segurar o Irã dentro de seus limites, e tenta passar a exercer um papel de relevância no Iraque. Na medida em que condena, entre aspas, a ocupação americana, procura ocupar espaço naquele país, especialmente, junto à comunidade sunita, que era quem detinha o poder ao tempo de Saddam e que agora está sendo marginalizada. É um novo agente que se move de maneira forte e esperta na região.