O presidente Bush continua se contradizando nas questões do Iraque. Ao visitar aquele país ontem, falou na retirada de parte dos 162 mil soldados americanos que lá estão mobilizados. Isto seria crível se Bush não tivesse, há menos de meio ano, feito um esforço extraordinário para convencer o Congresso americano a autorizar o envio de mais 30 mil soldados para o Iraque. Contingente que chegou àquele país, mas que não ajudou em nada a mudar a situação vigente.
Basta ver os relatórios que estão sendo feitos. Na semana passada, um relatório oficial elaborado pelo Escritório de Supervisão do Governo dos Estados Unidos [GAO, na sigla em inglês] apontou que o Iraque não alcançou os 18 objetivos fixados pelo Congresso americano para o progresso político e militar. O documento sobre o país árabe, intitulado “Levando Segurança, Estabilizando e Reconstruindo o Iraque”, afirma que foram atingidos “apenas três dos 18 objetivos” fixados por congressistas americanos para avaliar seu progresso político e militar.
A versão definitiva do documento deve ser enviada nesta terça-feira ao Congresso. O documento contradiz o panorama exposto pelo governo de Bush em julho último, que indicava diminuição na violência após o início de ampla ofensiva em Bagdá, no início do ano. “A média de ataques diários contra civis continua a mesma de seis meses atrás”. De acordo com o relatório, a “capacidade das forças de segurança iraquianas também não progrediu”. “Algumas unidades enviadas a Bagdá seguem diferentes grupos, e algumas têm ligação com milícias xiitas, o que dificulta sua ação contra extremistas xiitas”, diz o GAO.
Em resumo, o texto conclui que “a principal legislação não foi aprovada, a violência continua alta, e não está claro se o governo iraquiano irá empregar US$ 10 bilhões na reconstrução”.