Enquanto a aprovação ao governo do presidente Barack Obama estaciona nos 44%, os republicanos tentam definir o seu candidato com vistas às eleições de 2012. Esta semana já serviu para algumas definições. Dois pré-candidatos já foram praticamente afastados, depois do debate de quarta-feira no Michigan. Herman Cain viu sua candidatura evaporar-se diante das múltiplas acusações de abuso e assédio sexual. Não tem mais como decolar. Já o governador do Texas, Rick Perry, teve um escorregão verbal que também o detonou. Afirmou durante o debate que, se eleito, eliminaria três ministérios, que os americanos chamam de departamento. E aí veio: “educação, comércio e…e….e…” Foram 53 segundos e nada de sair o nome do terceiro. Ou seja, pura falta de convicção. Também viu sua candidatura ir para o espaço.
Sobrou Mitt Romney como o pré-candidato favorito para obter a indicação do Partido Republicano. Mas Romney tinha um problema: era considerado centrista demais. Pois, tratou logo de mudar. Nesta quinta-feira, o The Wall Street Journal publicou um artigo dele, dizendo que, se for eleito, vai preparar os EUA para uma guerra contra o Irã. Disse que apoiaria a diplomacia americana “com uma opção militar muito real e confiável”, mobilizando tropas militares no Golfo e potencializando a ajuda militar a Israel. “Estas ações darão um sinal inequívoco ao Irã de que os Estados Unidos, agindo em consonância com seus aliados, nunca permitirão ao Irã obter armas nucleares”, disse no artigo.
Parece incrível, mas os republicanos só pensam em guerra. Acham que os EUA devem viver em função da guerra. Basta ver os dois últimos governos republicanos. George Bush pai fez a guerra contra o Iraque e George Bush filho fez as guerras contra o Afeganistão e contra o Iraque. Guerras nas quais os EUA se afundaram, provocaram a morte de mais de 100 mil pessoas, gastaram mais de um trilhão de dólares e não conseguem colocar fim aos conflitos. Barack Obama, que recebeu esta nefasta herança, está fazendo de tudo para retirar as tropas americanas desses dois países. Isto nem foi conseguido e o aspirante a presidente Mitt Romney já fala em nova guerra, agora contra o Irã. Será que não há uma plataforma mais saudável para os republicanos colocarem em prática? Não há, porque os republicanos são sustentados pela indústria bélica, pela indústria do petróleo e pela indústria da construção. Ou seja, as três que levaram George W. Bush a decretar a guerra contra o Iraque, mesmo que a justificativa para tal tenha sido uma mentira, as tais armas de destruição em massa de Saddam Hussein, que nunca existiram.
Agora, a bola da vez é o Irã. E o pior é que, assim como a figura despótica e assassina de Saddam Hussein ajudou a justificar a intervenção americana, o retrógrado regime dos aiatolás e a figura do presidente Mahmoud Ahmadinejad também ajudam neste sentido. O relatório da Agência Internacional de Energia Atômica sobre o programa nuclear do Irã deixa dúvidas quanto a seus fins ditos pacíficos. Mas não tem nada de concreto sobre os fins militares. A brecha que existe é aproveitada por EUA e seus parceiros para justificar suas ações contra o Irã. De sua parte, o regime iraniano não faz nada de efetivo para provar que não desenvolve uma bomba atômica. Além do mais, o seu histórico de violação dos direitos humanos e de outras liberdades fundamentais não o ajuda em nada. Tudo isto, no entanto, não dá aos EUA, ou a qualquer outro país, o direito de agir como gendarme do mundo.