A situação da Argentina segue no mínimo curiosa. Os ruralistas levantaram mais uma vez a paralisação que vinham fazendo, em protesto pela taxação que o governo impôs às exportações de grãos. Como houve a suspensão do movimento, a presidente Cristina Kirchner se dispôs a receber as lideranças rurais amanhã, às 18 horas, na Casa Rosada. Até aí tudo bem. Mas é a partir do estabelecimento da reunião que vem a curiosidade, pois o governo marcou o encontro, mas já avisou que não irá reduzir os percentuais estabelecidos sobre as exportações de grãos. Ou seja, não irá atender a reivindicação básica do setor rural.
Segundo os informes, o governo de Cristina Kirchner poderia, no máximo, reduzir as alíquotas para pequenos produtores, assim como reduzir o custo dos insumos. Ou seja, na medida em que o governo acena com a redução para alguns, nada mais está tentando fazer do que rachar o movimento ruralista. Resta ver se conseguirá seu intento. Até agora o movimento tem se mantido unido, especialmente porque conta com apoio da maior parte da população argentina, a qual credita à intransigência do governo a falta de alimentos no país.
Assim é que se vai para a quinta reunião entre governo e ruralistas, desde 11 de março, dada do decreto governamental, sem que se vislumbre uma perspectiva de acordo.