A libertação pelas FARC, nesta quinta-feira, do vereador Marcos Baquero, na Colômbia, se constitui na primeira etapa de um processo que se estenderá até domingo e que prevê a libertação de mais quatro reféns. Baquero, de 33 anos, é vereador do município de San José Del Guaviare, estava em poder da guerrilha desde 28 de junho de 2009. Para esta sexta-feira estão previstas as libertações do vereador da cidade de Garcón, Armando Acuña, seqüestrado em maio de 2009, e do fuzileiro naval Henry López Martínez, seqüestrado em maio de 2010. Para o domingo, deverão ganhar liberdade o major da polícia Guillermo Solórzano, no cativeiro desde junho de 2007 e o cabo de exército Salín Sanmiguel, capturado em maio de 2008.
Toda essa ação tem o apoio logístico de helicópteros do exército brasileiro, que estão à serviço da Cruz Vermelha Internacional. E a intermediação entre o governo e as Farc é feito pela ex-senado Piedad Córdoba, que perdera seu posto parlamentar justamente pela ligação que possui com a guerrilha. Com estas libertações não restarão mais reféns da área política. Restarão 15 pessoas em poder das Farc, que são militares ou policiais.
O interessante neste episódio é que as Farc haviam condicionado as libertações à aceitação de diálogo por parte do governo. No entanto, o presidente Juan Manuel Santos firmou posição e declarou que a condição prévia para iniciar o diálogo era a libertação de todos os reféns. Como se observa, o governante, que já foi ministro da Defesa no governo anterior de Álvaro Uribe e que tem, portanto, uma longa experiência no trato com as Farc, está ganhando a queda de braço. Quem sabe seja o passo necessário para a extinçãoda guerrilha que há 60 anos inferniza a vida da Colômbia.