Sensacional, é o adjetivo mínimo que se pode dar à cena em que um jornalista iraquiano joga o seu par de sapatos contra o presidente Bush. O qual, diga-se de passagem, mostrou muita agilidade ao esquivar-se. Mas o protesto, com a manifestação – “este é o seu beijo de adeus, cachorro” – tem muito de simbologia. Em nome de uma mentira, as tais armas de destruição em massa, Bush destruiu o Iraque e matou cerca de 200 mil iraquianos, segundo números da ONU. Arrastou ainda para a morte 5 mil soldados americanos que deram sua vida por essa causa absurda. E foi contra essa figura e tudo que ela representa que o jornalista se insurgiu. E no que toca ao Iraque, Bush tem representado só mentira.
Fez a guerra com base numa mentira e ainda segue mentindo, agora com dados sobre a reconstrução do país, conforme constatou em sua edição de ontem o “The New York Times”.
O processo de reconstrução do Iraque, no qual os Estados Unidos investiram US$ 100 bilhões, foi um enorme fracasso e o Pentágono chegou inclusive a forjar os progressos nos documentos que registram a operação, indica um relatório federal revelado neste domingo pelo “NYT”. Em suas conclusões, o relatório assegura que cinco anos depois do início de seu maior projeto de reconstrução no estrangeiro desde o Plano Marshall na Europa no final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o governo dos EUA não tem nem as políticas nem a capacidade técnica e estrutura organizativa necessária para levá-lo a cabo.
Os esforços serviram para reconstruir pouco mais do que se destroçou durante a invasão dos EUA e o posterior saque, acrescenta, ao assegurar que parte do fracasso se deve ao fato de que não houve uma agência governamental que assumisse a responsabilidade desde o início. O relatório, chamado “Duras lições: a experiência da reconstrução iraquiana”, foi elaborado pelo escritório de Stuart Bowen, que visitou freqüentemente o Iraque.
Como se observa, um par de sapatos jogado contra Bush ainda é muito pouco.