A Rússia anunciou que inicia hoje a retirada de suas tropas da Geórgia, em atenção ao cessar-fogo mediado pelo presidente francês Nicolas Sarkozy. Aliás, um personagem marcante nesse conflito. Ao assumir a presidência da Uniâo Européia, em junho, Sarkozy se propôs a fazer com que a entidade se tornasse atuante nos conflitos internacionais. E provou isto logo que teve a primeira oportunidade. Tão pronto estourou a guerra na Ossétia do Sul viajou a Moscou, buscando um acordo de cessar-fogo, o que conseguiu.
É evidente que a ação de Sarkozy não se dá apenas para proteger a Geórgia, que havia sido invadida pela Rússia. Se dá porque ele sabe que a Rússia se rearticulou. Está forte novamente e tem grande importância para assuntos que interessam diretamente a Europa. Dois deles, especificamente. Um, o programa nuclear do Irã. Somente a Rússia tem poder para dissuadir o fanático Mahmoud Ahmadinejad a desistir da bomba. Outro, o fornecimento de energia para a Europa. A maior parte do petróleo e do gás que a Europa consome vêm da Rússia ou da Ásia Central. Uma Rússia em conflito com a Europa poderia fechar esta torneira. Daí a ação de Sarkozy.