O presidente francês Nicolas Sarkozy fez uma avaliação muito procedente sobre o que está acontecendo no cenário financeiro mundial. Ele descarta a crise como sendo do capitalismo. Diz ele: “é a crise do sistema que se distanciou dos valores mais fundamentais do capitalismo. É a crise de um sistema que foi progressivamente dando primazia ao especulador sobre o empreendedor”.
Pois, com muita propriedade, o presidente francês colocou o dedo na ferida. O que levou à crise foi justamente o fato de os bancos deixarem de fazer o seu papel básico que é de financiar o investimento e o desenvolvimento, para se dedicarem à especulação. E nessa especulação embarcaram as grandes empresas. Cada uma passou a achar que suas ações valiam, no mínimo, dez vezes mais do que realmente valiam. Quando o castelo de cartas ruiu, caíram na realidade.
E, a partir desta realidade, é preciso fazer o que Sarkozy está propondo: a estruturação de uma governança mundial. Algo que passa pela ampliação do G-8 para G-20 e pelo controle pelos governos das empresas para as quais emprestaram dinheiro, para tentarem sair da crise.