Barack Obama é hoje, inquestionavelmente, o líder mais em evidência no mundo, embora ainda não esteja presidente. Sobre ele recaem as esperanças de um mundo menos unilateral e mais multipolar. Suas ações, no entanto, só poderão ser sentidas após o 20 de janeiro de 2009. Enquanto não chega esta data, há um outro líder que está agindo, e de maneira muito eficiente, para a aproximação entre as nações. Este líder é o francês Nicolas Sarkozy.
O presidente da França e da União Européia já comprovou sua habilidade diplomática quando do conflito da Geórgia. Vale lembrar que em agosto último o governo da Geórgia mandou o exército invadir as repúblicas separatistas da Abkhásia e da Ossétia do Sul, o que provocou uma reação da Rússia, invadindo o território da Geórgia e dando apoio político para a autonomia das duas repúblicas. A ação russa só foi estancada pela mobilização do presidente Sarkozy, que foi até Tbilisi e até Moscou negociar com os dois presidentes, tendo conseguido o cessar-fogo.
Os russos sossegaram com a questão da Geórgia, mas resolveram dar uma resposta aos EUA, pela decisão do presidente Bush de instalar sistemas antimísseis na Polônia e na República Tcheca. O presidente Dmitri Medvedev anunciou sua disposição de, em represália, colocar sistemas de mísseis em Kaliningrado, junto à fronteira com a Polônia.
Diante disto, Sarkozy retomou sua atividade diplomática. Promoveu um encontro com Medvedev na França, antes do encontro do G-20, e arrancou do presidente russo a promessa de congelar a instalação de mísseis até a realização de um encontro sobre segurança em 2009. Ou seja, esperar até que Barack Obama assuma o poder e coloque em prática aquilo que Bush abandonou: a política do consenso entre as nações.
Como se observa, mais um triunfo de Sarkozy.