O Brasil recebe a partir de hoje a visita de Nicolas Sarkozy, na dupla condição: de presidente da França e de presidente da União Européia. Vem para fazer negócios com o Brasil, evidentemente. No que toca à França, quer vender material bélico. São quatro submarinos convencionais e um a propulsão nuclear, que serão construídos de forma conjunta. Também está prevista construção no Brasil de 50 helicópteros de transporte. Esses negócios estão inseridos no novo plano de Defesa traçado pelo ministro Nelson Jobim, plano este que contempla a cooperação internacional com transferência de tecnologia. Com isto, o Brasil pretende desenvolver a sua capacitação tecnológica e a fabricação de produtos de defesa, para eliminar, progressivamente, a compra de serviços e produtos importados.
No que toca à União Européia, Sarkozy vem dar seqüência ao plano de cooperação lançado em julho, que envolve questões como ambiente, energia, segurança alimentar e educação, entre outros assuntos. E, a partir daí, Sarkozy quer dar impulso ao seu projeto de ampliar o G-8 para G-20, pois, como ressaltou, não se pode conceber as decisões mundiais hoje sem a participação de China, Índia e, evidentemente, o Brasil. Ou seja, já fez a sua média com o país antes de aqui chegar.
De qualquer forma, tanto no aspecto interno como no externo, a visita de Sarkozy chama atenção para mudanças no perfil brasileiro.