A Sérvia é o principal país resultante da divisão da Iugoslávia. Historicamente, os sérvios sempre tiveram uma ligação muito próxima com a Rússia, ao contrário das demais repúblicas iugoslavas, que se ligavam mais ao Ocidente. Estas, se tornaram países independentes e logo se integraram ao Ocidente, estando trabalhando intensamente para o seu ingresso na União Européia. Já a Sérvia está dividida. Parte de sua população quer acompanhar os antigos parceiros, parte quer manter a histórica ligação com a Rússia.
Esta divisão se refletiu nas eleições presidenciais deste domingo. Tanto que não houve definição no primeiro turno. O candidato ultrancionalista Tomislav Nikolic venceu o primeiro turno, com 39,4% dos votos. O candidato pró-Europa Boris Tadic obteve 35,4% dos votos. Assim, terão que ir para o segundo turno, em 3 de fevereiro, fazendo composições. Como pano de fundo dessa disputa, que remonta ao tempo da Guerra Fria, está a questão de Kosovo, a província que ficou atrelada à Sérvia, mas que também quer se tornar um país independente. Especialmente, porque sua população é 90% originária de albaneses. Apenas 10% são eslavos sérvios.
Refletindo os tempos da confrontação Leste-Oeste, a Europa apóia a independência de Kosovo e a Rússia se opõe. Daí a importância do segundo turno eleitoral.