A vitória do candidato pró-Ocidente Boris Tadic, na Sérvia, é significativa, pois assinala a integração à Europa da província, historicamente, mais ligada à Rússia, das que compunham a antiga Iugoslávia. Os sérvios sempre tiveram uma identificação muito grande com os russos, tanto por sua igualdade étnica eslava, como pela religião cristã ortodoxa. Esses valores de igualdade como Oriente eram defendidos na eleição por Tomislaw Nicolov.
O resultado do pleito indica que a Sérvia vai seguir as demais repúblicas que com ela compunham a Iugoslávia, como Croácia, Montenegro, Macedôania, Bósnia e Eslovênia. Aliás, a Eslovênia está se tornando não só o primeiro país do antigo bloco comunista a adotar o euro como moeda, como também a assumir a presidência da União Européia. Quanto à Sérvia, o caminho para o Ocidente está aberto, mas não será muito fácil. Basta ver a pequena diferença de votos entre os dois candidatos, 51% contra 47%. Mesmo assim, a tendência será de adesão gradativa.
Tão interessados quanto os sérvios nessa eleição, estavam os habitantes de Kosovo, a província que tem 90% de sua população de origem albanesa e que luta por sua independência. Mesmo com o desmembramento da Iugoslávia, Kosovo continou atrelada à Sérvia. A província lutou por sua independência no final dos anos 90, mas essa luta foi reprimida à força pelo governo sérvio, numa ação claramente de limpeza racial. Houve a necessidade da intervenção das tropas da OTAN, que ainda hoje mantém sua presença na região. Tadic é favor da desatrelação de Kosovo, Nicoloc, com o apoio da Rússia, queria a manutenção da província.
Assim, o resultado da eleição de ontem deixa a Sérvia mais próxima da Europa e Kosovo mais próxima da independência.