O Líbano volta a ser palco de conflitos envolvendo os palestinos. O que não é novidade, diga-se de passagem, nesse país que, de 1975 a 1990, viveu uma terrível guerra civil. No ano passado, o país voltou a ser sacudido, dessa vez por um confronto entre os militantes do Hezbollah e o exército israelense.
A presença de palestinos no território libanês é resultante da diáspora palestina, ocorrida em 1948, quando a ONU decidiu pela partilha da Palestina sob mandato britânico, formando o Estado da Palestina e o Estado de Israel. Os palestinos não concordaram, foram à guerra contra Israel, perderam, não constituíram o seu Estado e tiveram que se espalhar pelo mundo árabe. Um dos locais foi o Líbano, onde há, até agora, três campos de refugiados palestinos administrados pela ONU. De acordo com o que foi estabelecido em 1969, no Cairo, o exército libanês está proibido de entrar nessas áreas palestinas. Elas são administradas pela própria comunidade palestina. Mas, seguido surge algum grupo que foge do controle. Como esse que agiu no fim de semana. Trata-se do Fatah al Islam, uma dissidência do grupo Fatah, do presidente da ANP Mahmoud Abbas, que se inspirado pela Al Qaeda e é financiado pela Síria. Ou seja, a Síria mais uma vez está no foco da questão Libanesa.
Bem, foi graças à intervenção da Síria que terminou a guerra civil em 1990. Mas o governo de Damasco estabeleceu uma espécie de protetorado sobre o Líbano. Só se retirou de lá há dois, após uma pressão muito grande da comunidade libanesa, em função da suposta ligação Síria no assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Tafik Hariri.
O fato é que a ligação entre Síria e Líbano também é história. Basta lembrar por aqui pelo Brasil. O quanto se ouvia falar em Clube Sírio Libanês, o que identificado duas comunidades que viviam conjuntamente. O que era verdade. Por quatro séculos, durante o período de dominação do Império Turco Otomano, Síria e Líbano formavam uma só entidade. Foi até 1926, quando se tornaram entidades políticas diferentes sob o protetorado da França. É por essa particularidade histórica que costuma haver a ingerência da Síria no Líbano, fato que é considerado normal por uma parcela da população. Evidente, que aquela religiosamente ligada à Síria. Diz-se religiosamente, para não dizer politicamente, pois a religião faz a política naquela região.
Pois hoje, com o desgaste sofrido por Israel ao enfrentar o Hezbollah e o fracasso americano no Iraque, a Síria está se sentindo à vontade para voltar a intervir no Líbano.