O presidente George Bush conseguiu um feito marcante nesta quinta-feira. Reuniu na Casa Branca os candidatos à sua sucessão, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, o presidente do Federal Reserve, o Banco Central americano, Ben Bernake, e os líderes dos dois grandes partidos na Câmara e no Senado. Ou seja, a nata política e financeira do país. Tudo para buscar um acordo para a aprovação pelo Congresso do pacote de 700 bilhões de dólares para tirar o sistema financeiro do buraco em que se meteu.
O qualificado elenco, no entanto, não chegou a um consenso, embora o assunto tenha ficado bem encaminhado. É inquestionável que o pacote deverá ser aprovado. Agora, é inegável que o mercado financeiro a partir de agora também não será mais o mesmo. O aspecto mais contundente da mudança é o da intervenção estatal para salvar o sistema. Lembrando que tudo que os agentes financeiros defendiam era a intervenção cada vez menor do estado na economia.
Outra questão que passa a ser discutida é o alto salário dos executivos dos bancos. Algo também, até pouco tempo, impensável. Os bancos eram autônomos e podiam pagar o que queriam a seus executivos. Já não são mais. Tudo mudou tanto que o presidente Lula, de um país da periferia, sentiu-se à vontade para ironizar a situação dos “bancos palpiteiros”, que davam palpite na economia brasileira e que agora estão à beira da falência.
Enfim, a ajuda ao sistema financeiro deve ser aprovada pelo congresso americano, mas, daqui para a frente, as relações devem ser diferentes.