Estão vencendo as 72 horas pedidas pelo mediador da crise de Honduras, o presidente da Costa Rica Óscar Arias, para alcançar um acordo entre as partes em litígio. Como era esperado, vamos ver esgotar-se o prazo sem qualquer consenso, o que só faz aumentar o risco de uma guerra civil em Honduras. Aliás, o presidente deposto Manuel Zelaya declarou que a guerra civil já começou. Simplesmente, porque ele se dispõe a fazer uma entrada apoteótica em Tegucigalpa. Fato que, para qualquer observador, se apresenta muito pouco provável no momento atual.
Pode ser que mude a situação por pressão dos EUA. Ontem, a secretária de Estado Hilary Clinton telefonou ao líder golpista Roberto Micheletti para dizer que haveria consequências sérias se fossem ignorados os sete pontos da mediação, apresentados no sábado por Arias. Entre estes pontos, está a volta de Zelaya. E Hilary foi mais longe, advertindo os empresários que dão sustentação ao golpe, que eles podem ser punidos pelos EUA. Já em Tegucigalpa, o embaixador dos EUA, Hugo Llorens, convidou para uma conversa uma série de empresários hondurenhos e lembrou-lhes do arsenal de leis que os EUA dispõe para bloquear dinheiro hondurenho e também para secar a ajuda ao país, hoje só parcialmente suspensa.
Este é o caminho. Só os EUA tem poder para influenciar sobre o governo golpista. Agora, se o mesmo insistir em permanecer, muito possivelmente vamos ter a guerra civil de Zelaya está falando.