O protesto dos fundamentalistas islâmicos no Afeganistão, que começou no norte do país, chegou até o sul, na cidade Kandahar. Pra variar, seguem as mortes de inocentes. Basta que sejam ocidentais, que já são identificados com americanos, como o foram os oito funcionários da ONU covardemente assassinados em Mazar-i-Sharif, no norte do país, na sexta-feira. Tudo porque um imbecíl de um pastor protestante americano de Miami resolveu queimar um exemplar do Corão. Algo que não teria chegado aos ouvidos dos fanáticos lá das bibocas de Mazar-i-Sharif se o presidente afegão Hamid Karzai não tivesse resolvido tomar as dores, denunciando os fatos e, sem conhecer a Constituição norte-americana, pedindo punição para o pastor.
O pior de tudo isto é que os soldados americanos que atuam no Afeganistão estão dando razão para os radicais islâmicos. O Correio do Povo publicou na sua edição deste domingo matéria em que mostra as atrocidades cometidas por soldados americanos no Afeganistão. Soldados drogados matam civis afegãos pelo simples prazer de matar, denuncia a matéria, cuja reportagem foi realizada pela revista alemã Der Spiegel. Isto dá margem a que um lojista de Kandahar, citado pela Folha, diga que não sente pena dos funcionários da ONU, porque, como disse ele, o povo afegão é massacrado pelos estrangeiros todos os dias.