O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Khan, não resistiu às pressões e acabou renunciando ao cargo. E em meio à esta renúncia aumentam as suposições de que Strauss-Kahn foi alvo de uma armação. Que houve alguma coisa relacionada a sexo entre ele e a camareira no Hotel Sofitel, em Nova York, onde estava hospedado, parece certo. Caso contrário ele não teria aceitado, como aceitou, a sua prisão, sendo arrastado de dentro da primeira classe de um avião que o levaria a Paris. Mas também torna-se claro que ele ocupava um cargo altamente disputado e, além disto, se apresentava como forte candidato à presidência da França. Sendo apontado, inclusive, como favorito numa disputa com o atual presidente Nicolas Sarkozy.
Mas é no âmbito do FMI que a saída de Strauss-Kahn abre a maior discussão. Começa pela contestação ao acordo de Bretton Woods, celebrado em 1944, nos EUA, quando estabeleceu que a presidência do Fundo seria ocupada por um europeu e a presidência do BIRD, o Banco Mundial, por um norte-americano. Os países em desenvolvimento entraram na parada e querem acabar com esta divisão por nacionalidade, trocando-a por uma concessão por mérito. No que estão certos, diga-se de passagem. Agora, para promover esta mudança, será que precisava alguma armação contra o homem-forte do FMI? O que depõe contra ele é o seu histórico de desvios de conduta no que toca ao relacionamento sexual. Tanto que surgiu mais uma denúncia contra ele. A jornalista e escritora francesa Tristane Banon afirmou ter sido vítima de abuso sexual do francês, em 2002, quando o entrevistava. Segundo sua descrição, Strauss-Kahn parecia um”chipanzé no cio” quando a atacou.
O contraditório é que Strauss-Kahn revelou-se altamente capaz à frente do FMI. Tomou decisões audaciosas, especialmente, nos meses recentes, em funções das crises na Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda, etc. Decisões que recebem contestações