Dois dias antes do prazo estabelecido, foram oficializadas as tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros que são exportados para os Estados Unidos, para entrarem em vigor a 6 de agosto. As ações desenvolvidas por autoridades brasileiras para evitar a medida foram as mais pífias possíveis. Isto vai do presidente Lula ao chanceler Mauro Vieira.
Lula, ao invés de buscar um diálogo com Trump, como têm feito dirigentes dos mais diversos países, resolveu bater de frente com o norte-americano. Como se o Brasil tivesse o mesmo peso dos Estados Unidos no cenário internacional. Porém, Lula aproveitou para fazer o seu proselitismo político, jogando para o público interno, com vistas às próximas eleições.
EXTERIOR
Lula usa a velha tática de governantes que, quando estão com problemas internos, apelam para um inimigo externo como forma de receber o apoio interno. E nessa tática está a busca da ridicularização do inimigo, que o que Lula procurou fazer, oferecendo jaboticabas a Trump, convidando-o para jogo de truco, etc.
Ao mesmo tempo, faz parte da tática a defesa dos recursos internos. Neste ponto, Lula aproveitou o interesse dos EUA por nossos minérios para fazer um discurso quase histérico, dizendo que ninguém põe a mão em nossos minérios. Como se não houvesse uma série de empresas chinesas explorando os recursos minerais no Brasil, como a Baiyin Nonferrous, que adquiriu a Mineração Vale Verde, e a China Nonferrous Metal Mining, que comprou a Mineração Taboca. Além destas, empresas como Zijin Mining e BYD também estão presentes, com foco em lítio e outros metais. A lista vai muito mais longe, mas, só isto já mostra que tem estrangeiros aqui colocando a mão nos nossos minérios.
DIPLOMACIA
Assim é que Lula não ajudou nada para evitar que as sanções entrassem em vigor. Tampouco seu desmoralizado chanceler Mauro Vieira conseguiu fazer algo de positivo. Isto porque ele não abriu o mínimo canal para se comunicar em Washington.
Ou seja, a diplomacia brasileira, outrora tão efetiva e competente, perdeu o seu poder, desde que passou a ser controlada por Celso Amorim, hoje assessor de Lula para questões internacionais. Já Mauro Vieira, que é chanceler, se presta a um papel secundário e desmoralizante para sua figura. Tampouco a embaixadora nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Vioti, conseguiu fazer alguma coisa.
MAGNISTSKY
E, na extensão dessa disputa Brasília-Washington, nesta quarta-feira, os EUA anunciaram a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre Moraes, do STF. Criada em julho de 2018, a Lei Magnitsky determina sanções contra indivíduos que “cometeram ou contribuíram para violações dos direitos humanos e atos particularmente graves de corrupção que são prejudiciais à estabilidade política e econômica internacional”.
Na prática, as sanções da Lei Magnitsky afetam os sancionados principalmente por meios econômicos, como o congelamento de bens e contas bancárias em solo ou instituições norte-americanas. De acordo com o governo dos EUA, qualquer empresa ou bem relacionados ao ministro nos EUA estão bloqueados. Cidadãos norte-americanos também estão proibidos de fazer negócios com o ministro.
POLÍTICA
Representantes do governo brasileiro disseram que o fato de os EUA condenarem o ministro Alexandre de Moraes, em virtude de suas ações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, se caracteriza como uma ação política. Na realidade, as tarifas econômicas são consequência de uma disputa política que se estabeleceu entre os dois países. E a parte política se deu justamente pelas ações do presidente Lula, em especial junto aos Brics. Lula se uniu a antagonistas dos EUA, como China, Rússia e Irã, ao mesmo tempo em que propôs a retirada do dólar americano como moeda de transações financeiras entre os membros do bloco.
E o tema se estende pelo fato de o governo americano entender que o ex-presidente Jair Bolsonaro é vítima de uma perseguição política desenvolvida pelo governo brasileiro com o apoio da Suprema Corte de Justiça. Então, não resta dúvida que a questão é política. Porém, quem vai sofrer as consequências é o setor econômico e, em última análise, o cidadão brasileiro. Fica a débil esperança de que representantes dos setores produtivos dos dois países consigam conversar e chegar a pontos que amenizem a crise.