Desde que lançou seus tentáculos sobre os EUA, nos nefastos episódios de 11 de setembro de 2001, a Al Qaeda vem sendo caçada pelo mundo. Apesar disto, ela vem aumentando suas ações. Hoje ela está presente no Iraque, no Afeganistão, no Egito e no Paquistão, só para citar os quatro principais pontos. Segundo os informes procedentes de Islamabad, os militantes entrincheirados na Mesquita Vermelha obedecem as ordens da Al Qaeda.
Em primeiro lugar, nunca é demais repetir que a Al Qaeda segue agindo porque os EUA, ao invés de completar o serviço de sua caça desenvolvido no Afeganistão, resolveram deixar o trabalho inconcluso, para invadir o Iraque. Assim, Bin Laden seguiu vivo e seus adeptos se multiplicando pelo mundo afora. Conforme escreve o Financial Times “o fanatismo violento que a Al Qaeda promovia não só sobreviveu como proliferou, auxiliado, na opinião de muitos especialistas, pela condução dada à ‘guerra ao terrorismo’ liderada pelos Estados Unidos”.
Conforme o jornal britânico, os “ataques de militantes inspirados pela Al Qaeda não chegaram à escalada espetacular do 11 de setembro, mas o seu número vem se multiplicando e seu alcance geográfico ganhou diversidade”. O que é verdade. As ações não estão se limitando ao Oriente Médio. Já tivemos os atentados aos metrôs de Madri, em março de 2004, e de Londres, em julho de 2005. Assim como também os atentados de Bali, na Indonésia e do Marrocos e da Argélia, no noroeste da África. No Iraque, onde não estava antes da invasão americana, agora comanda toda a série possível de atentados. A propósito, só neste sábado e domingo foram mais de 220 mortos nesse tipo de ação.
A pergunta que se faz agora é: o que fazer para conter a organização? Matar Bin Laden? Esta talvez tivesse sido a solução logo que foi deflagrada a caçada no Afeganistão. Mas, como isto não ocorreu naquela ocasião, hoje, já não faz mais diferença. O jornalista britânico Jason Burke, autor do livro “Al Qaeda: a verdadeira história do radicalismo islâmico”, em entrevista ao jornalista Marcelo Ninio, da Folha de São Paulo, deixa claro que a morte de Bin Laden hoje pouco ajudaria para reduzir o terrorismo islâmico. Bin Laden, diz ele, é apenas um ícone. As suas idéias estão disseminadas por toda a parte e a Al Qaeda funciona como uma espécie de franquia. São células que agem por toda a parte, sem obedecer a um comando central, mas agindo dentro de determinados princípios.
O exemplo mais contundente disto está no grupo que planejava os atentados de Londres e Glasgow. Eram jovens, islâmicos, que atuavam no serviço de saúde, sendo a maioria médicos. Fato que vem se contrapor a uma outra teoria. A de que os praticantes de atentados suicidas são jovens islâmicos sem perspectivas profissionais.
O que existe ainda de forte com relação a uma possível concentração de poder da Al Qaeda é o seu núcleo que age no Waziristão, uma região situada junto às fronteiras do Paquistão e do Afeganistão. Uma base central da Al Qaeda teria se recomposto nessa área montanhosa e de difícil acesso. E dali que se irradiam para o mundo islâmico as orientações sobre como agir e contra quem agir. Só que, os executores dessas ordens, em muitos casos, nunca sequer estiveram em contado com quem as emitiu.
Este é o resultado da decisão de George Bush de não completar o serviço no Afeganistão e ter se voltado para o Iraque.