O caso do Timor atesta a importância da escolha de dirigentes, especialmente, por países em formação. O presidente José Ramos-Horta, alvo do atentado ontem praticado, foi vítima das ações mal conduzidas pelo ex-primeiro-ministro Mari Alkatiri, que era acusado de ter um estilo bolchevista de administrar. Arrogante e autoritário. Algo que não se coaduna com uma nação que quer ser democrática e inserida no cenário mundial. Essa inserção vinha sendo buscada com muita força, desde a independência, em 2002, para que o país pudesse superar sua história marcada pelos colonialismos português e indonésio.
Durante seu governo, em junho de 2006, Alkatiri enfrentou uma crise militar e não soube administrar. Acabou provocando a expulsão de 599 militares, entre eles Alfredo Reinado, que liderou o atentado contra Horta e que acabou morrendo na ocasião. Faltou habilidade para Alkatiri. Especialmente, porque para um país de uma população de menos de um milhão de habitantes, a expulsão de quase seis centenas de militares é um número muito expressivo. Foi tamanha a falta de habilidade, que ele próprio acabou tendo que renunciar.
Já para Reinado, prevaleceu o egoísmo e faltou sentimento nacionalista. Ao invés de lutar por sua reintegração nos foros legais, partiu para a clandestinidade e atentou contra uma das figuras mais exprerssivas do país. Afinal, Ramos-Horta lutou contra os invasores indonésios e foi um articulador político junto à ONU pela indendência do país, fato que lhe valeu o Prêmio Nobel da Paz. Tentar acabar com uma figuras dessas é manchar a história de uma jovem nação.