Esta segunda-feira, 2 de abril, assinala os 30 anos do início da guerra nas ilhas que os argentinos chamam de Malvinas e os britânicos de Falklands. Ou seja, o início de mais uma das tantas ações nefastas desencadeadas pela junta militar que governou a Argentina de 1976 a 1983. Acontece que naquele primeiro quadrimestre de 1982, a junta já estava desgastada pelas denúncias de mortes e desaparecimentos dos contestadores do regime, pela crise econômica que afundava o país e pela falta das liberdades básicas para a população. As Malvinas, para os argentinos, se constituem numa questão de unidade nacional. Os militares aproveitaram esta questão e se basearam no presuposto de que os ingleses não iriam mobilizar uma tropa para viajar 8 mil quilômetros, para vir libertar meia dúzia de Kelpers, como se chamam os moradores das ilhas. E mais um detalhe, que seguramente deve ter pesado muito também. Segundo o jornalista Lucas Mendes, o general Vernon Walters, que tinha profunda ligação com a América Latina, assegurou para os militares argentinos que se invadissem as ilhas os ingleses iriam rugir e bufar, mas não mandariam tropas. Vê-se a fria em que entraram. Outra revelação de Lucas Mendes: Diante da iminência do revide britânico, o então presidente americano Ronald Reagan ligou para o então chefe da ditadura argentina, general Galtieri, mas este não pode atender porque estava bêbado. Pobre Argentina!
Hoje, a presidente Cristina Kirchner recuperou a questão das Malvinas como bandeira de seu governo. E a maior parte dos argentinos mais uma vez está embarcando numa canoa furada ao apoiá-la na causa da soberania. Aliás, depois da guerra os britânicos propuseram a exploração conjunta dos recursos naturais das ilhas, mediante um acordo. Buenos Aires rejeitou, dizendo que só negociava soberania. Algo que nãose vislumbra no horizonte. Ainda mais depois da descoberta de petróleo no entorno das ilhas.