O presidente do Egito Hosni Mubarak trocou todo o seu governo na esperança de se manter no poder. Não adiantou. Os protestos continuam. O que é natural. O povo quer é a mudança do governante, desgastado por 30 anos no cargo. Fala-se que, se Mubarak cair, quem poderia assumir é o Prêmio Nobel da Paz e ex-chefe da AIEA Mohamed El Baradei. Ele inclusive já foi para o Egito na quinta-feira, somando-se aos protestos que derrubaram Mubarak. No entanto, os EUA se dizem defensores da democracia e dos preceitos de liberdade de imprensa e liberdade de ir e de vir. Não era o que Mubarak praticava e, seguramente, não será o que El Baradei irá praticar se, simplesmente, for colocado no poder sem a realização de eleição. Aliás, se for realizada eleição no Egito, quem deve vencer facilmente, segundo as previsões, é a Irmandade Muçulmana, maior movimento de oposição. Movimento este que está estruturado não só no Egito, mas em todos os países da região onde há agitação.
E aí é que está o problema. Estes islâmicos do movimento estão muito mais para o Irã de Ahmadinejd do que para os EUA de Obama. E aí fica o dilema para Washington: como defender a democracia, se esta irá levar ao poder o inimigo. É o preço de não ter avaliado corretamente a durabilidade da autocracia aliada de Mubarak e de tantos outros no mundo árabe, que estão correndo o mesmo perigo.