Afirmo que o presidente dos Estados Unidos é quem pode conduzir as negociações para aquilo que a comunidade internacional clama, o Estado Palestino, devido a ascendência que ele tem sobre o primeiro ministro de Israel Benjamin Netanyahu, que hoje é a voz dissonante no assunto.
O consenso sobre a criação do dito estado passa pelo ocorrido na ONU nos últimos dias, quando países de expressão como Reino Unido, França, Canadá e Austrália, entre outros, anunciaram o reconhecimento do mesmo. Com isto, chega a 156 o número de países que fizeram este mesmo reconhecimento, dentre os 193 membros das Nações Unidas.
REJEIÇÃO
Ao mesmo tempo Netanyahu anunciava que não irá reconhecer o Estado Palestino. E mais, ele e alguns membros de seu gabinete anunciaram a intenção de ocupar parte da Cisjordânia, para inviabilizar o possível futuro estado. A rejeição a seu posicionamento foi estampada pela retirada de enorme contingente de participantes da assembleia geral, quando o mesmo entrou para falar.
Pois bem, e o que leva a crer que Trump pode viabilizar o dito estado? O que leva são três de suas mais recentes atitudes. A primeira delas é contundente. Logo após a manifestação dos governantes de Israel, Trump anunciou em alto e bom som: “Não vou deixar anexar a Cisjordânia”! Logo, parou-se de falar no assunto em Israel.
ÊNFASE
Na sequência o que tivemos? Netanyahu ligando para o primeiro ministro do Catar e se desculpando pelo ataque desfechado naquele território na caça aos integrantes do Hamas, que lá se refugiam. Será que esta foi uma decisão espontânea do chefe do governo israelense ou se deu por pressão do presidente dos EUA, país que, casualmente, tem no Catar a sua maior base militar do Oriente Médio.
E no que pareceu ser um puxão de orelhas em Netanyahu, foi revelado, nesta quarta-feira, que Trump declarou que um ataque ao Catar é uma ameaça aos Estados Unidos. O documento publicado pela Casa Branca, elaborado na segunda-feira, afirma que, “os Estados Unidos considerarão qualquer ataque armado ao território, à soberania ou à infraestrutura crítica do Estado do Catar como uma ameaça à paz e à segurança dos Estados Unidos.” O americano classificou a ofensiva israelense como “covarde” e “criminosa” afirmando que o ato constitui uma “flagrante violação das leis e normas …” Ou seja, deixou explícito que Israel ameaçou os interesses dos EUA ao atacar o emirado. Isto partindo do maior aliado de Israel no Oriente Médio.
PODER
Tudo isto serve para mostrar que Trump consegue exercer forte influência sobre Netanyahu e tem poder para fazê-lo aceitar a solução dos dois estados. Claro que, antes de tudo, é preciso saber se o americano está convencido de que esta é a melhor solução. Certamente, que ele tem recebido muita pressão dos seus aliados europeus que defendem esta ideia.
Defendendo ou não a ideia, o fato é que Trump entrou pra valer na busca de um término da guerra que é travada em Gaza. Seu plano já foi bem aceito pelos países árabes e por outros países que estão envolvidos na busca de uma solução para o conflito. Assim como foi também por Netanyahu.
HAMAS
Agora, tudo ainda depende do Hamas. Se irá aceitar a proposta de libertar todos os reféns, em troca da libertação de um contingente de palestinos que estão em prisões de Israel. E ainda sabendo que qualquer negociação com vistas à solução dos dois estados, o grupo ficará à margem. Aliás, o objetivo dos que defendem a ideia é aproveitar o estado de debilidade do grupo terrorista para sufoca-lo de vez.
Bem, mas, se o Hamas não aceitar o plano, teremos a continuidade da guerra, com mais mortes e destruição para o povo palestino de Gaza. Mas, o que levará também a uma maior desarticulação do Hamas. E para frustração do presidente Trump. Pelo menos temporária, pois o que ele pretende com todo este seu envolvimento no Oriente Médio, com possibilidades até de fazer Netanyahu mudar de ideia, é conquistar o Prêmio Nobel da Paz. Há muito que ele insinua que há a possibilidade de conquistar tal distinção. Pois, se for realmente para estabelecer a paz nesse conturbado Oriente Médio, que conquiste.