(Artigo publicado no Correio do Povo de domingo, 03/01/10)
O Uruguai está apostando fortemente no turismo como uma das fontes de renda para o país. Apesar de pequeno, o país oferece algumas alternativas bem atraentes. A principal, logicamente, é Punta del Este, com a praia Mansa, a praia Brava, seus cassinos, seus restaurantes e suas três marinas, onde atracam desde pequenos iates até navios de cruzeiro. Aliás, uma prova do atrativo de Punta é que só para este veraneio estão previstas chegadas de 108 navios de cruzeiro. Assim, sempre há dois ou três deles emoldurando a baía de Maldonado. Mas há também a cidade histórica de Colônia do Sacramento, onde se pode admirar os resquícios das construções dos portugueses, que fundaram aquela cidade à margem esquerda do Rio da Prata, bem defronte Buenos Aires, que era para se contrapor à presença espanhola do outro lado do rio. E há Montevidéu que, embora decadente, ainda guarda alguns traços europeus. E que para se modernizar e melhor receber, renovou e ampliou o aeroporto de Carrasco, reinaugurado nesta terça-feira à noite com a chegada de um vôo da Tam procedente de São Paulo. E há ainda os free-shops da fronteira, Rivera, Rio Branco e Chui, que são as grandes atrações do brasileiros.
A propósito de brasileiros, sua presença é grande nos balneários do Uruguai, competindo com os argentinos, que em tempos passados eram maioria absoluta. Mas há também chilenos e europeus. E o nosso real é aceito por toda a parte. Minha primeira surpresa foi poder pagar o pedágio na rodovia em real. Nos restaurantes a conta já vem especificada não só em pesos uruguaios, como também em reais, pesos argentinos, dólares e euros. Ou seja, todas as moedas que são aceitas fluentemente. E os outrora caríssimos restaurantes de Punta de Este, para nós brasileiros, praticam hoje preços que em nada diferem de nossos restaurantes de Porto Alegre. Tudo, evidentemente, graças à valorização do nosso real. Ao fazer o balanço de final de ano, o ministro do Turismo do Uruguai Héctor Lescano, disse que neste ano que está terminando o país recebeu 2.150.000 turistas, ou seja, um número que é mais do que a metade da população uruguaia, hoje em torno de 3,5 milhões de habitantes.
Começou oficialmente às 18 horas de terça-feira o processo de transição de governo no Uruguai. Uma reunião no palácio do governo, em Montevidéu, entre os ministros do governo atual e os ministros do futuro governo marcou o início do processo, que deve se dar de maneira tranquila. Afinal, tanto o presidente que sai, Tabaré Vásquez, como o que entra, José Mujica, pertencem ao mesmo partido, a Frente Ampla, que vem dominando o cenário político do Uruguai nestes anos 2000. Começou com o próprio Tabaré Vásquez ao ser eleito para a prefeitura de Montevidéu. O sucesso de sua administração o levou à presidência da república, onde só não foi reeleito porque a Constituição não permite. Porque se dependesse do sucesso da administração continuaria à frente da casa de governo. Afinal, o Uruguai fecha este ano de crise econômica mundial como uma grande exceção. Enquanto muito países tiveram crescimento negativo e até o Brasil, que é um dos países que menos sentiu a crise, terá um crescimento de apenas um por cento, o Uruguai fecha o ano com um crescimento de 8,5%. Algo que foi destacado na última reunião ministerial do ano, realizada ao meio-dia de segunda-feira e que contou com as presenças do presidente e vice atuais e dos que irão assumir a 1° de março. Ou seja, Tabaré Vasquez entraga o país para o seu sucessor em uma situação tão privilegiada como há muito os uruguaios não viam.