A derrota do primeiro-ministro Shinzo Abe, nas eleições deste domingo no Japão não surpreende. Já era previsto que seu Partido Liberal Democrata perderia cadeiras, como perdeu, mas manteria a maioria, como manteve. Embora perdendo a maioria no Senado, Abe não se sente obrigado a renunciar. Vai seguir com o seu governo, cuja popularidade vem despencando.
O atual premiê é considerado um exemplo raro de imperícia política. Quando assumiu o cargo, dez meses atrás, sua aprovação era de 70%. Agora, mal passa dos 25%, de acordo com o jornal Yomiuri Shimbun.
A economia do país até que não vai mal. Cresceu 2,3% no ano passado, depois de uma prolongada recessão. O desemprego também diminui: caiu de 4,2% para 3,8%. Mas Abe ficou com duas bombas na mão. Uma delas é o sumiço de 50 milhões de fichas eletrônicas da seguridade social. Ou seja, perderam-se os registros de contribuições de 20 milhões de japoneses aos caixas de aposentadorias e de pensões. Imagine-se o caos e o pavor que isto provoca.
O outro problema diz respeito à privatização dos correios, os quais gerem cadernetas de poupança onde estão depositados 3 trilhões de dólares. O serviço, que funcionava também como uma espécie de caixa de previdência, e de agência bancária em pequenos povoados, pode deixar na mão milhões de japoneses.
Esses dois temas minaram o projeto de Abe chamado de “o belo país” e fortaleceram o slogan da oposição que diz: “a prioridade é a vida cotidiana”.