O mundo está diante de uma nova carnificina, mas que não tem tido muita repercussão devido à pouca importância do país, o Sri Lanka. Ali vem sendo travado um conflito, há 25 anos, que já deixou mais de 100 mil mortos, sendo 7 mil somente nos últimos três meses. Para variar,se trata de mais um conflito étnico.
O Sri Lanka, cujo nome significa “ilha resplandescente”, é uma antiga colônia britânica, que conseguiu sua independência na mesma ocasião que a Índia, ou seja, em 1948. Conhecida até 1972 como Ceilão, a ilha é famosa pelas especiarias, pelas pedras preciosas e pelas plantações de chá. Da população de 20 milhões de habitantes, 74% são cingaleses e 13% são tâmeis. E é justamente aí que está a razão do conflito. Os cingaleses sempre perseguiram a minoria Tâmil. Em 1983, a morte de 13 soldados cingaleses por militantes tâmeis deflagra a pior explosão de violência étnica da história do país. Centenas de tâmeis são assassinados pela população em Colombo, a capital do país, e em várias outras cidades. Centenas de milhares de Tâmeis perdem suas casas e fogem para o sul da Índia.
Surge então o grupo Tigres Tâmeis, que se destaca pela violência. Desde então o país não teve mais paz. Desde janeiro último o governo desenvolve o chama de “ofensiva final” contra os rebeldes. O problema é que não morrem apenas militantes, mas também civis: velhos, mulheres, crianças, numa atrocidade que só neste domingo teria deixado 378 mortos e mais de 1.100 feridos. E, como em todo conflito étnico, o ódio gera mais ódio e não se vislumbra uma solução que não seja a intervenção de uma força multinacional de paz. Mas, como eu disse no início, se trata de um país pequeno e sem importância. Portanto…