Apesar de toda beleza e pujança, Xangai tem um problema. Ou, pelo menos, apresentou este problema enquanto estive por aqui: não se viu o sol. Uma densa neblina cobriu a cidade o tempo todo. Na informação dos citadinos, trata-se de algo decorrente das condições atmosféricas. Para alguns estrangeiros, trata-se de poluição do ar. Não se fica sabendo a verdade, tendo em vista que os moradores, funcionários de hotéis, etc, podem ser orientados pelo governo para dar a versão que atribui o fato às intempéries. Até é possível, porque Xangai, embora imensamente grande, não é uma cidade industrial por excelência. É sim um grande centro financeiro e de negócios. Aliás, o governo chinês investiu muito nisso, para que a cidade pudesse competir com Hong Kong. Embora os ingleses tenham entregado, em 1999, a sua antiga possessão para a China, a cidade ainda é vista como tal. E ainda não foi incorporada de todo ao país. Assim como Taiwan e Macau, é vista como uma parte desmembrada do país. Daí o interesse em tornar Xangai o grande centro financeiro de negócios da Ásia.
A propósito de divergências, a China está preocupada com dois conflitos regionais. Um deles ecoa pelo mundo e foi bem divulgado aí no Brasil, que é o que envolve as duas Coréias. O outro não se falou nada. Ficou restrito ao âmbito regional, embora tenha proporcionado muitas mortes e deslocamento de pessoas. É o que envolve uzbeques e quirquis. Ou seja, oriundos do Uzbequistão e do Quirquistão.
Quanto às Coréias, há a convicção de que o pior já passou, que foi a fase de maior tensão. E essa fase passou justamente porque a China, tradicional aliada da Coréia do Norte, resolveu se calar. Não manifestou qualquer apoio e, com isto, o radical governo norte-coreano teve que frear suas ações. E a China negou apoio porque não queria prejudicar os negócios que mantém com o país que dá maior sustentação à Coréia do Sul: os EUA. Hoje os dois países são os maiores parceiros mundiais e não vão prejudicar isto por causa de países periféricos.
Quanto ao conflito entre uzbeques e quirquis, ele se dá na região autônoma de Xinjiang Uyghur, situada no Noroeste da China. Ali a violência irrompeu em abril, envolvendo as duas etnias, provocando centenas de mortos. A China teve que fazer uma operação de emergência para tirar os seus cidadãos que estavam lá trabalhando, estudando ou mesmo passeando. Mas, por sua influência na região, a China sabe que não pode se limitar a essas ações. Precisa agir como mediadora. O que não é nada fácil quando se depara com fanatismo religioso ou étnico, como é o caso do presente conflito.