(Artigo publicado no Correio do povo de domingo, 21/11/10)
Uma das melhores coisas para quem viaja para a Europa foi a introdução do euro, que hoje é moeda única em onze nações. Antes, você chegava pela Espanha tinha que comprar pesetas, cruzava para a França, tinha trocar por francos, seguia para a Itália tinha que adquirir liras e assim por diante. Um incômodo e uma perda a cada transação feita. Hoje, se viaja somente com euro e ainda não se precisa levar muito, pois, com os avanços tecnologia, se pode pagar praticamente tudo com cartão de crédito. E, além disto, se pode sacar dinheiro até nos caixas eletrônicos onde a gente se encontra. Enfim, essa nova moeda veio facilitar a vida de quem viaja para a Europa.
O inconveniente que nós brasileiros tínhamos de início era o valor do euro. Precisávamos cerca de quatro reais para alcançar uma unidade da nova moeda européia. No entanto, com a solidificação de nossa economia a relação começou a mudar e hoje precisamos pouco mais de dois reais para adquirir um euro. E menos de dois para comprarmos um dólar, se formos para os EUA. Sei que os nossos exportadores não gostam dessa situação, mas para quem viaja é muito bom termos um moeda forte. A propósito, até em Israel vi o real sendo oferecido nas casas de câmbio. Tempos atrás era impensável vermos a nossa moeda ao lado das mais valorizadas do mundo.
Mas, voltando ao euro, os próprios europeus sentiram os efeitos pesados da sua introdução no mercado, assim como nós sentimos aqui quando foi introduzido o real. Na Itália, por exemplo, ouvi muitas críticas com relação à conversão, a qual teria elevado sobremaneira os preços no país. E isto é referendado pelo fato de que, desde o surgimento do euro, a Itália tem vivido em crise, sem apresentar o crescimento que tiveram outros parceiros, como Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda. Ironicamente, são esses países, que tiveram crescimento em níveis de países asiáticos, que estão enfrentado agora o seu pior momento. A bola da vez é a Irlanda.
Irlanda que era apresentada como o grande exemplo de atração de investimentos e, consequentemente, de crescimento. Um crescimento que vinha sendo mantido, desde 1990, sustentado na construção civil. Aí veio a crise de 2008 e o valor dos imóveis desabou de 50 a 60%. O governo resolveu salvar os bancos e ficou com problemas de caixa. Recorrendo ao mercado, foi obrigado a aceitar juros até duas vezes maiores do que os pagos pela Alemanha, que é praticamente a única sólida economia do Europa. Resultado, acúmulo de déficit. A União Européia estabelece que o maior déficit que os seus países membros podem ter em relação ao PIB é de 3,3%. Pois a Irlanda está com um rombo de 32% do PIB. Mesmo assim, não esgotou todas suas reservas, segundo o “Financial Times”. Teria ainda o suficiente para manter seus pagamentos em dia até julho de 2011. Porém, seu governo passou a semana sob a pressão do FMI e da UE para ajuda daqueles organismos. Ajuda “pequena” de 100 bilhões de euros, o que representa um quarto do que o Banco Central Europeu coloca à disposição da Comunidade.
Ninguém quer ver a Irlanda quebrar, especialmente, o Reino Unido. Um dos motivos é o perigo dos reflexos para os bancos Lloyds e Royal Bank os Scotland, que possuem muitos créditos na Irlanda. E outro, é que o vizinho país importa da Grã-Bretanha mais do que Brasil, China e Índia juntos. Aliás, Grã-Bretanha que para 2011 já programou aumento de impostos, demissões de servidores, cortes de benefícios e de gastos fiscais. A única notícia boa para o próximo ano é o casamento do príncipe William com Kate Middleton, fato que é visto como um grande impulsionador de negócios. Aliás, casamento real é mais festejado pelos britânicos do que Copa do Mundo pelos brasileiros. Mas enfim, voltando à zona do euro, muitos países têm saudades do tempo em que, diante de crise, desvalorizavam sua moeda. Isto não dá mais para fazer.
VENEZUELA
Estou viajando nesta segunda-feira para a Venezuela, com a finalidade de acompanhar a situação política, econômica e social do país de Hugo Chávez. Estarei contando através dos comentários diários na Rádio Guaíba e do Diário da Venezuela, a partir de terça-feira aqui no Correio do Povo.