O presidente Lula está começando um giro por Israel, Cisjordânia e Jordânia. Vai, evidentemente, encontrar-se com autoridades israelenses e palestinas e tentar colaborar para a busca da paz entre esses dois povos. Algo muito difícil. O Brasil tem-se apresentado como um interlocutor para o Oriente Médio. Porém, nem os EUA, país que exerce maior influência sobre a região, tem conseguido fazer avançar o diálogo. Basta ver que ainda na semana passada esteve por lá o vice-presidente americano Joe Biden e nada conseguiu. Pelo contrário, o que se observou foi um recuo ainda maior nas negociações com a decisão do governo israelense de autorizar a construção de novas casas em assentamentos judaicos construídos em territórios palestinos.
Lula foi saudado pelo jornal israelense Haaretz, na sua edição de fim de semana, como o “profeta do diálogo”. No entanto, por maior capacidade que tenha o nosso presidente, nada acena para acordo. Há também o caso do Irã. Israel e EUA querem adotar sanções contra o Irã, enquanto o país não abrir o seu programa nuclear à inspeção da ONU. O Brasil defende o diálogo com os iranianos. Para Israel, hoje, isto é algo impossível. Como é que vai negociar com um presidente, no caso Mahomoud Ahmadinejad, que não reconhece o Holocausto e que prega a destruição de Israel?
Então, Lula que trate de impulsionar os negócios do Brasil com Israel, que aí sim, poderá alcançar sucesso. Agora, nas questões políticas que envolvem Israel com palestinos e iranianos, nem pensar.
LIVRES DA BOMBA
Ao discursar hoje no Parlamento israelense, o presidente Lula pediu um Oriente Médio sem armas nucleares. Pois esta colocação tem muito de simbologismo. Muito se falou no fato de o Brasil atuar como um mediador no Oriente Médio. Porém, sempre que se falava em mediação deixava-se implícita a questão israelense palestina. Pois, nos últimos tempos, cresceu o temor com relação ao programa nuclear do Irã. EUA e Israel estão convictos de que o país dos aiatolás tem por objetivo produzir a bomba. Lula, que tem mantido boa relação com o iraniano Ahmadinejad, tem sido convocado também para buscar um consenso com Teerã. O presidente brasileiro está tentando fazer o seu papel. Tem defendido o diálogo em lugar das sanções, que EUA e Israel querem aplicar ao Irã.
O discurso de Lula no Knesset é envolvente porque ele cita como exemplo a América Latina, que abriu mão das armas nucleares. E este exemplo maior partiu de uma ação conjunta de Brasil e Argentina na década de 80. Ele, portanto, está servindo de exemplo. Mas o discurso também é envolvente, porque, na medida em que pede um Oriente Médio sem armas nucleares, está envolvendo todos os atores da região. É um recado direto para o Irã, mas também o é para Israel, que não é signatário do Acordo de Não-Proliferação Nuclear e que, segundo tudo indica, é possuidor de arma nuclear.
Então, Lula foi ao âmago da questão. Resta ver qual vai ser a reação israelense.