A Ucrânia tem demonstrado uma enorme bravura no seu enfrentamento com a Rússia. Conseguiu desenvolver uma forte resistência ao mesmo tempo em que aprimorou a sua indústria bélica, a ponto de, não só receber elogios dos europeus integrantes da Otan, como passar a ter a parceria da Alemanha no desenvolvimento de armas.
Esta forte e surpreendente resistência fez com que o presidente russo Vladimir Putin tivesse que estender até agora aquela, aquela que chamou de, “operação militar especial”, que era para ser realizada em cerca de 10 a 15 dias, com a tomada da Ucrânia. Neste período, a Ucrânia, não só resistiu, como desenvolveu artefatos capazes de atingir Moscou. Mas, logicamente, tem sofrido muito com os ataques.
EXTENSÃO
Já são quatro anos e meio de guerra. E, embora toda a resistência, os prejuízos são muito grandes, tanto em vidas humanas quanto em materiais. E o pior, talvez sejam, os ataques que a Rússia costume desfechar contra prédios residenciais. Sendo que até hospital infantil já foi atingido. E a Rússia domina uma boa parte da região do Donbas, que pretende tomar na sua totalidade.
O desgaste na Rússia é igualmente grande, pois também tem morrido civis em seu território, sem contar o elevado número de soldados. Os custos da guerra estão impactando na população russa, com aumento do custo de vida. Porém, o gélido Vladimir Putin não está nem aí para estes aspectos. Está obcecado em tomar o Donbas e, quem sabe, depois toda a Ucrânia. E na sequência mais alguns outros países da vizinhança, para ele realizar o seu sonho de reconstituir a antiga União Soviética. Ou seja, um grupo de países vizinhos sob o comando de Moscou.
ABANDONO
Um grande problema para a Ucrânia tem sido o abandono dos Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, o qual já recebeu Putin com tapete vermelho no Alasca. Durante o governo Biden os EUA eram os maiores fornecedores de armas para a Ucrânia. Junto com os países da União Europeia. Trump condicionou o envio de armas à compra das mesmas pela Otan. Ou seja, nada de ajuda e sim ganhos monetários.
A Europa, por sua vez, ampliou a ajuda. Isto tem feito a Ucrânia resistir e até ampliar os ataques, mas, não afastar a Rússia de seu território. A continuar esta situação, a percepção é de que esta guerra irá se estender ainda por muitos anos.
PERCEPÇÃO
Esta, possivelmente, tenha sido a percepção do presidente Volodimir Zelensky ao propor, nesta quinta-feira, 4, um encontro com Vladimir Putin, para discutirem o fim da guerra. Propôs conversas em um país neutro e um cessar fogo durante o período das conversações. Até agora não houve ainda uma manifestação oficial do Kremlin sobre o assunto. A não ser a do porta-voz Dmitri Peskov, de que Moscou pode sediar qualquer encontro.
Em São Petersburgo, onde foi para participar de um fórum econômico, Putin afirmou estar “sempre disposto a negociar” com base no que foi discutido com Trump em Anchorage, em agosto de 2025. Mas reiterou as exigências de Moscou: concessões políticas e territoriais de Kiev, incluindo retirada completa da região de Donbas.
PERDAS
Este é o grande problema! Não se vislumbra um término da guerra sem a entrega das áreas pretendidas por Putin. Algo que a Ucrânia rejeita, assim como os integrantes da União Europeia, que estão dando suporte a Kiev. Mas, a realidade é esta. Não se percebe que outro tipo de solução possa ter o conflito.
Nos últimos dias a Rússia tem intensificado os ataques e Putin não descartou também ampliar o uso do míssil balístico hipersônico Oreshnik contra cidades ucranianas. E reiterou uma ameaça que tem feito desde o início da guerra, ou seja, o uso de arma atômica. Disse que o armamento, já utilizado três vezes contra a Ucrânia, é capaz de transportar ogivas nucleares.