Brasília deveria sediar hoje uma reunião do Bric, o grupo formado por Brasil, Rússia, India e China, países com enorme potencial de crescimento. A reunião do Bric deixará de ser realizada porque o presidente da China Hu Jintao decidiu antecipar o seu retorno, devido ao terremoto que abalou o país. Desta forma, foi realizada ontem uma reunião entre o presidente Lula e o seu colega Hu Jintao, enquanto que hoje Lula receberá o presidente russo Dmitri Medvedev e o primeiro-ministro indiano Manmohan Singh. O termo Bric é uma expressão criada pelo economista-chefe do Goldman Sachs, Jim O’Neill, em 2001. Ele vislumbrou nestes quadro países aqueles que iriam crescer de forma acentuada, de maneira a ultrapassarem os atuais ocupantes das 10 primeiras colocações em termos de economia mundial. Tanto que as projeções apontam que até a década de 2020 a China se tornará a segunda economia do mundo, o Brasil a quinta e a Rússia a sexta. Os números vem domonstrando que as previsões de O’Neill se confirmam. O crescimento do grupo é puxado pela China que, mais uma vez, tem crescimento do PIB acima dos 10%.
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A propósito, China e Brasil aproveitaram o encontro de seus presidentes nesta quinta-feira para assinar acordos de comércio e investimentos. Uma ampliação do intercâmbio comercial entre os dois países que, desde 2003, teve um “pequeno” crescimento de 780%. O encontro abriu a possibilidade para que a China construa uma fábrica de aço no Brasil, o que seria o maior investimento da China na América Latina. Aliás, o intercâmbio com o Brasil e a presença da China na região são fatores crescentes e que causam preocupação em outras bandas. A China tomou o lugar dos EUA como primeiro parceiro comercial do Brasil. Isto a coloca em posição de força na região, o que preocupa Washington. Sem contar o fato de que os chineses estão vendendo armas para Bolívia, Equador e Venezuela.
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O grupo do Bric está tendo muita aproximação pelo lado comercial, porém, nos aspectos político, social e cultural, existem muitas diferenças. E até algumas animosidades históricas, como entre China e Índia.
É por causa dessas diferenças que o criador do termo Bric, Jim O’Neill, entende que, apesar do entusiasmo com o dinamismo econômico demonstrado pela maioria dos países do grupo, duvida da capacidade de conseguir ampliar sua agenda de discussões devido suas grandes diferenças no âmbito político e social.
“Como a China, em assuntos militares, poderia cooperar com o Brasil, a Rússia ou a Índia, que são sociedades muito diferentes?” questiona O’Neill. Diz ele que “uma verdadeira cooperação em áreas fora da economia é muito difícil. Economicamente eles são muito diferentes, mas eles partilham o fato de serem muito grandes. Logo, na economia, é muito mais fácil”, completa.
Resta ver se O’Neill irá acertar também neste aspecto, ou se o futuro das relações entre os países do Bric o desmentirá.